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Terça-Feira, 08 de Janeiro de 2019, 16h:00
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BNDES terá foco em médias empresas, diz novo presidente

Por: G1 Rio

BNDS

 

Ofortalecimento de médias empresas será o foco da nova gestão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foi o que afirmou nesta terça-feira (8), no Rio de Janeiro, Joaquim Levy, o novo presidente do banco de fomento, durante cerimônia para a transferência do cargo pelo agora ex-presidente Dyogo Oliveira.

 

"Assim como os grandes projetos, o BNDES é parte daquilo que transforma o Brasil em termos de infraestrutura, em termos de inovações. Nós vamos continuar fazendo isso com foco cada vez maior nas empresas médias", afirmou Levy.

 

O executivo destacou que são as médias empresas aquelas com potencial de fazer alavancar a economia do país, inclusive reaquecendo o mercado de trabalho.

 

“Não há país com uma livre iniciativa forte que não tenha empresas médias fortes. Na verdade, historicamente, eu diria que uma vulnerabilidade do Brasil é ainda não ter um setor de empresas médias fortes e com capacidade de crescer e criar emprego, e desenvolver e incorporar novas tecnologias. Não há dúvida que tanto no setor industrial, nos serviços, tecnologia, aí está o desafio, aí está o mercado do BNDES”, afirmou Levy.

 

Além de Levy e Oliveira, participam da cerimônia de transmissão do cargo o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), o secretário de Fazenda do Rio, Cesar Augusto Barbiero, e o chefe do Ministério Público do estado, Eduardo Lima Neto.

 

Levy tomou posse no cargo nesta segunda-feira (7), em Brasília, em uma solenidade única para empossar os novos presidentes dos três bancos públicos do país – na Caixa Econômica Federal foi empossado Pedro Guimarães, e no Banco do Brasil, Rubem Novaes.

 

Engenheiro Naval com doutorado em Economia pela Universidade de Chicago, foi ministro da Fazenda na gestão Dilma Rousseff, e secretário do Tesouro no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Estava na diretoria do Banco Mundial antes de assumir o BNDES.

 

 

Transparência

Em seu discurso durante a solenidade, Levy ressaltou o objetivo de dar ainda mais transparência às operações do banco de fomento, promessa feita pelo presidente Jair Bolsonaro, que fala em “abrir a caixa preta” do BNDES.

 

“A transparência que hoje já é uma virtude bastante enraizada e que tem se desenvolvimento de uma maneira institucional, será cada vez mais importante. Uma transparência em relação ao futuro, em relação ao passado porque é isso que vai permitir construir um banco que contribua com um Brasil forte, limpo, justo e competitivo”, disse Levy.

 

Retomada da economia

Joaquim Levy disse ainda em seu discurso que o BNDES estará preparado para apoiar o país na retomada da economia. Ele disse acreditar que essa recuperação será cíclica e estrutural, permitindo o surgimento de novos agentes no mercado nacional.

 

“Como nos aproximamos de um momento de recuperação da economia em que a gente vai ter uma retomada cíclica, mas que eu acredito que também estrutural, em que novos setores vão aflorar, o banco vai estar preparado. O banco vai ter os instrumentos, nós vamos responder a esse desafio e essa instituição continuará a ser tão forte e produtiva como ela sempre foi, contribuindo também com os governos subnacionais”, disse.

 

Ele destacou que será dada continuidade ao processo iniciado em 2015 de realinhamento das taxas de juros e diminuição da dependência de recursos do Tesouro Nacional.

 

“Se a gente continuar conduzindo bem [esse processo], será uma fonte de fortalecimento para essa instituição e a gente vai poder continuar servindo ao país tendo a lucratividade necessária para manter as nossas atividades de uma forma extremamente sólida e como eu tenho certeza que o nosso regulador financeiro, o Banco Central, deseja e exige de nós”, ressaltou.

 

Nova página

Oliveira, em seu discurso de despedida, afirmou que o banco de fomento inicia uma nova trajetória a partir de agora.

 

“Estamos virando uma página da nossa história e o BNDES faz parte disso. O BNDES foi alvo de grandes críticas no passado e estamos dando um ponto final nisso hoje”, disse.

 

Ele destacou que deixa a vida pública após 20 anos de trabalho dedicado ao setor público e que vê com otimismo o futuro do país.

 

“Tenho confiança plena de que o brasil terá um longo caminho de crescimento, fundamentado em uma política econômica estruturada. Estamos entregando o Brasil em condições de ter um futuro brilhante”, enfatizou.

 

Venda de ativos

Em entrevista coletiva concedida após a cerimônia, Joaquim Levy evitou se aprofundar sobre o enxugamento do banco, promessa feita na véspera pelo presidente Jair Bolsonaro de encolher o tamanho dos três bancos públicos. Confirmou, no entanto, que serão vendidos ativos da BNDESPar, mas não adiantou quais estão no radar.

“Nossa estratégia, obviamente, vai ser primeiro fazer um levantamento para definir exatamente as metas [da venda de participações acionárias]. Nesse sentido, vamos revisar o balanço financeiro do banco. Já temos alguma ideia [de quais ativos e segmentos pretendem abrir mão], mas não queremos adiantar antes desse estudo”, disse.

 

Levy afirmou que “o capital vai ser um fator chave” para definir a estratégia de venda dos ativos. “Há uma série de considerações que vamos levar em conta. Tem que olhar o preço, tem que olhar o impacto [de cada ativo]”, reforçou, destacando acreditar que o momento é bom para essas vendas e que aposta em aumento do apetite do investidor.

 

Questionado sobre a atuação no banco em processos de privatização, Levy ressaltou que o banco seguirá tendo papel proeminente. “Há um interesse dentro da casa em continuar trabalhando com isso. Acho que a nossa capacidade de cooperação é fundamental.

 

"Há uma série de projetos que a gente quer dar uma acelerada”, comentou.

Dentre os projetos de modelagem que estão em andamento e que pretende acelerar, Levy destacou os dos portos, de distribuidoras de energia e de estradas de rodagem. “Há uma carteira muito interessante de projetos em que o BNDES deverá ter um papel central”, reforçou.

Ainda sobre privatizações, Levy defendeu se tratar de um meio capaz de auxiliar estados e municípios a regularizarem suas finanças, auxiliando no processo de ajuste fiscal.

 

“Para muitos estados, a desestatização pode ajudar a não só gerar um valor imediato, mas também reduzir perdas e ineficiências que se arrastam há muitos anos. Cada estado tem que avaliar a sua situação, tem alguns casos que tem de se ver até questões jurídicas, mas eu acho que tem muito espaço inclusive na área de saneamento”.

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