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Sexta-Feira, 24 de Janeiro de 2020, 09h:44
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ALFREDO DA MOTA
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Na agricultura

 

Em Mato Grosso, nos últimos dez anos, a produção de grãos aumentou 121%, saindo de 31 milhões de toneladas para 68 milhões. O estado é, pelo nono ano seguido, o maior produtor de grãos e fibras do país.

 

O estado também, pelo segundo ano, passou São Paulo no chamado Valor Bruto Agregado ou, em linguagem mais direta, foram 102 bilhões de reais, no último ano, o que se produziu no campo. São Paulo ficou com 78 bilhões. Esse estado produz mais cana de açúcar e laranja.

 

Mato Grosso produziu 28% dos grãos do país. O estado do Paraná, em segundo lugar, ficou com 14,9% e o Rio Grande do Sul com 14,3%. É como se dissesse que Mato Grosso sozinho produz tanto quando aquele dois estados juntos. Aqui queria chegar e enveredar por um caminho da história.

 

O produtor de Mato Grosso, em sua grande maioria, veio do Paraná e do Rio Grande do Sul. Problemas agrários naqueles estados, com pressão social forte por terra, força o regime militar facilitar a vinda de milhares de pessoas do sul para o estado.

 

Tiravam o problema agrário crescente dali ao levarem gentes para o vazio demográfico que era o norte de Mato Grosso e o sul do Pará. Com isso também falavam em conquistar a Amazônia pelo sul ou no slogan da época: integrar para não entregar.

 

O governo brasileiro já havia estimulado a ida de milhares de paranaenses para o Paraguai no governo de Alfredo Stroessner para tentar diminuir a pressão por terra naquele estado.

 

Depois disso, como o problema social e agrário persistia, Mato Grosso foi a opção.  No geral quem veio foi o pequeno agricultor. Livros e teses acadêmicas contam muitas dessas histórias.

 

Alguém, como um exemplo, tinha uma pequena propriedade num daqueles estados. A família crescera, tinha três ou quatro filhos. Mais pressão por terra, portanto. Máquinas agrícolas começavam a chegar ao campo liberando mais mão de obra. O que pressionava mais ainda a questão agrária.

 

São Paulo, com a chegada das máquinas no campo, também liberou mão de obra, mas lá a maior parte da população do setor agrário acabou sendo absorvida nas fábricas que surgiam. Não era o caso do sul do Brasil.

 

Pois bem, passou o tempo e  hoje aqueles pequenos agricultores que vieram para Mato Grosso estão produzindo mais que  os grandes do agro que ficaram no sul do país. Produzem mais em quantidade, como mostrado acima, e também em produtividade. Solo, clima, expertise, pesquisa, levou a essa alta produtividade.

 

Mato Grosso produz mais sacas de soja por hectare do que aqueles estados. Não somente isso. Mostrou canal de televisão que o estado produzia no campo por hectare 11% a mais que o agricultor de soja de Illinois nos EUA. O ganho lá estava na fantástica logística de transporte. Coisa que Mato Grosso nem chega perto.

 

Termino com a conversa de sempre: quantas pessoas no outro Brasil sabem o que está acontecendo em Mato Grosso no setor agropecuário nos últimos anos?

 

ALFREDO DA MOTA MENEZES é analista político.

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Edição 216 Fevereiro de 2020

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