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Quarta-Feira, 11 de Dezembro de 2019, 14h:02
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JOÃO EDISOM
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O fim do estado e a era das reformas

Reprodução

 

Quem já não ouviu a frase “é mais fácil construir que reformar”?Isso se explica pelo fato que a palavra reforma significa alterar estruturas já existentes e que envolve pessoas instaladas dentro do espaço de trabalho (demolição reconstrução).

 

Reformas que envolvem legislação significa alterar situações que afetará algo ou alguém que em dado momento foi ou ainda é beneficiado pela velha estrutura a ser desmontada. É umaruptura dos velhos conceitos  da coisa pública, e ai o novo enquadramento  gera  desconforto e inconformidade.

 

O Brasil vive um momento que exigem reformas, uma vez que a dinâmica do tempo e a evolução das relações sociais e políticas deterioraram o modelo de Estado vigente. Na falta de um outro modelo, faz-se necessário reformar o atual para que ele tenha uma sobrevida até encontrarmos uma outra forma de se constituir relações entre o convívio com aquilo que é público e o dito poder público.

 

A Constituiçãoatual foi feita notérmino de uma era, lá no final da década de 1980, e um pouco antes do mundo mudar completamente sua geopolítica. Fim da Guerra Fria, morte das ideologias pragmáticas e início da era tecnológica que revolucionou a comunicação no mundo. 

 

Um mundo estava acabando e um outro por vir. Construímos tudo como se o tempo fosse estático e a década de 80 fosse eterna. A profecia se concretizou; “1999 chegará, mas de 2000 não passará”. E não passou.O celular, a internet e os apps revolucionaram as relações, encurtaram distâncias e separaram pessoas, matando a força do “Estado Político” por asfixia digitalizada (construção e desconstrução da informação).

 

Agora sabemos que o mundo acabou a mais de duas décadas, mas as pessoas que estavam lá não desapareceram;sobreviveram e não perceberam o fim dos tempos e por isso ainda vivem sob o estigma do velho mundo findado e em confronto com as novas exigências.Por isso somos uma forma inacabada de relações entre o passado e o futuro.Somos gente do presente sem nada para apresentar.Por isso o presente é vazio e conflitante.

 

Alguns tem somente passado, outros somente futuro.O presente padece de solidão e sofre de todas as incertezas. Difícil compreender como funciona este novo momento da humanidade para quem só tem passado.Eesta novo “Ser” que surgiu não entende que não se constrói futuro sem ter presente.

 

O conflito entre os interesses do “individuo” e do “coletivo” se instalou de tal forma que os direitos individuais e os direitos coletivos já não cabem mais no mesmo espaço físico.Daí a explosão de insatisfação (passeatas e protestos). Somos capazes de nos unir no que não queremos,mas nos tornamos inimigos naquilo que queremos(os desejos são difusos demais). 

 

O Brasil, mais que a maioria dos outros países, precisa de profundas reformas. Há quedas significativas, desigualdade econômica e social, baixo investimento em infraestrutura e educação, endividamento da máquina pública, altas taxas de impostos, corrupção regulamentada, muita gente na cadeia e mais gente precisando ser preso. Como fazer se todos os interesses são difusos?

 

Nas reformas, a “demolição” é certa, mas a reconstrução será incerta se os interesses não convergirem!

 

João Edisom de Souza é professor universitário e analista político em Mato Grosso.

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Edição 211 Janeiro de 2020

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