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Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 14h:18
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JOÃO EDISOM
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Quem sou eu?

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Em tempos de polarização de opiniões e crendices ideológicas, quem não está dentro de uma das “duas caixinhas” (lulismo ou bolsonomion) está sendo tratado como imbecil ou alienado. A doença do “torcer” ao invés de entender, compreender, ou mesmo compartilhar opiniões diversas,está sendo trocado por rótulos como“você está mudado”; “olha que eu te admirava antes”; “quem te viu e quem te vê”; “você não é mais dos nossos”; agora você é “dos coxinhas” ou agora você “virou esquerdopata”. Tudo isso é instrumento de guerra dos que não querem diálogo, entendimento ou amplitude de conhecimento!

 

Primeiro, quem está fora destes dois grupos não significa que esteja certo ou errado.Significa apenas que não é contemplado pela forma abrupta de impor aos semelhante opiniões que são convicções suas ou do seu grupo.  Há várias formas de interpretação daquilo que o mundo nos diz.Quase todas diferentes das nossas.E ainda bem que é assim.

 

Segundo, não ser submisso as análisesrotulantes, as respostas prontas do radicalismo ideológico partidárioe catequético não significa ser neutro, muito menos não ter opinião.Pelo contrário, significar estar vivendo em um outro quadrante.Significa estar vendo coisas que a catequese ideológica não permite ver, coisas que a cegueira e a sagacidade dos ataques revanchistas não permitem ser analisadas. A insanidade das repetições (rótulos) deusificadas de ídolos só cai bem aos seus. 

 

Terceiro, ninguém deve ser admirado porque pensa e fala o que você gostaria de dizer, e muito menos ser odiado porque pensa ou fala coisas diferentes do que você pensa. A admiração deve vir de um conjunto de fatores que se completam entre si, tais como caráter, ética, honestidade, conhecimento de causa, cientificidade, esforço qualificado, habilidades e etc.

 

Dito isso, quero afirmar que: mudar todos os dias é forma eficiente de evolução. “Mudar para melhor” é um atributo de qualificação dos predicados já existentes, mudar de opinião se dá quando há novos elementos até então desconhecidos, uma vez que a verdade é dinâmica e temporal! Exemplo: hoje está frio, mas hoje não é para sempre. Não mudar em tempo de grandes transformações é ser entrave do futuro que não nos pertence.

 

Então quem sou o “eu” que mudou? O “eu sadio”, “descontaminado”.Um ser que evolui, que se permite ouvir diversos diálogos, que se permite conviver com os diversos atores sem necessariamente concordar com todos eles e que dos fragmentos visíveis na bateia do dialogo e da vida vai construindo seus próprios tesouros (conhecimentos), mas sem mudar caráter, ética, respeito e critérios de civilidade.

 

Portanto, se um “contaminado” te atacar, te rotular, lembre-se que o doente é ele! Você vai estar sempre certo? Não necessariamente, até porque ninguém é obrigado estar sempre certo! Conviver é isso, é viver sem ter medo de ser feliz, é compartilhar visões diferentes, é lapidar a alma pra ser melhor semelhante, é humanizar o humano que habita dentro de nós.

 

Afinal quem sou eu? Eu sou o antagonismo das certezas rotulantes, prontas e acabadas.

 

João Edisom é jornalista, possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Mato Grosso

 

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Edição 191 Agosto de 2019

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