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Quinta-Feira, 11 de Janeiro de 2018, 08h:39
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Campanha da Fraternidade 2018

Por: JUACY DA SILVA

juacy da silva

 

Neste ano a Campanha da Fraternidade realizada anualmente pela Igreja Católica aprofundará a reflexão e discussão de um tema importante e um dos mais sérios desafios que o Brasil e a população em geral enfrentam neste momento.

O tema da Campanha será: Fraternidade e superação da violência, e o lema: Em Cristo somos todos irmãos. Realidade esta que deverá ser analisada a partir da Doutrina social da Igreja, com aportes de estudos científicos relacionados ao tema.

Em 1983, a CNBB também inseriu este mesmo desafio em sua Campanha da Fraternidade, com o tema "Fraternidade e violência" e o lema: Fraternidade sim, violência não. E, desde então, a questão da violência esteve presente de forma direta ou indireta em todas as demais campanhas.

Nesses 35 anos que separam as duas Campanhas uma verdadeira tragédia vem ocorrendo em nosso país. Segundo dados do Mapa da Violência e outras fontes, foram assassinadas 1,4 milhão de pessoas, além de vários milhões de roubos, assaltos, sequestros, estupros e outros atos de violência que deixam a população, principalmente as camadas mais pobres e excluídas "à mercê desta insegurança total.

Para que este desafio, a onda de violência e de insegurança que assola o país de norte a sul, de leste a oeste, nas grandes metrópoles, cidades médias ou pequenas, possa ser enfrentado com seriedade e de forma eficaz, precisamos estimular a participação das pessoas nesta discussão e na apresentação de propostas concretas que sirvam de base para a ação de governo.

Como a campanha da Fraternidade abrange dezenas de milhares de Arquidioceses, Dioceses, prelazias, paroquias, comunidades locais e milhões de pessoas, além de diversas instituições públicas e organizações não governamentais, este é um momento mais do que oportuno para que este tema faça parte da agenda de discussão de nosso país, a começar pelas paróquias e comunidades de base, onde de fato o povo vive, sofre e esperneia ante o caos dos serviços públicos, como saúde, segurança pública, saneamento básico e educação, dentre outros.

Além disso, como este será um ano de eleições gerais, para presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, todos ávidos por apresentarem seus "planos" e propostas para solucionarem os grandes desafios nacionais, este também é um momento apropriado para que os partidos políticos e os candidatos dediquem uma atenção maior para que a questão da violência seja um ponto central das propostas e sugestões para políticas públicas nesta área.

Só vamos superar a questão da violência quando for feito um correto diagnóstico da situação e elaborados planos nacionais, estaduais, municipais e locais de segurança pública, tendo a integração entre os diversos níveis de poder e de governo e o compartilhamento das responsabilidades e recursos necessários para que o Brasil possa enfrentar de verdade o problema da violência em todas as suas dimensões e variantes.

Portanto, a Campanha da Fraternidade de 2018 será um bom momento e uma ótima iniciativa para que a população discuta, reflita de forma crítica e criadora e ajude a encontrar as saídas para este desafio.

Não podemos deixar apenas nas "mãos" dos governantes e políticos a solução desses grandes desafios nacionais, principalmente se considerarmos o descrédito, a demagogia, a corrupção e fisiologismo que têm marcado os cenários politico e administrativo de nosso país, além do preceito constitucional de que o poder emana do povo, ou seja, o povo, os eleitores e contribuintes são a única fonte do poder!

Juacy da Silva é professor universitário, aposentado da UFMT, mestre em Sociologia.

 

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Edição 160 Dezembro de 2018

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