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Quarta-Feira, 11 de Julho de 2018, 10h:47
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Suicídio é tabu? Então vamos desmistificar, sem glamourizar!

Por: LAURA GONÇALVES

Mesmo com o crescente índice de suicídios no mundo, e principalmente em nosso país, falar sobre o assunto ainda é um tabu, e muitos preferem deixar o tema de lado, a enfrentá-lo como se deve. Em um mundo com relações cada vez mais superficiais, com pessoas fazendo textões para defender pontos de vista e apontar o “diferente” nas redes socais, o que resta aos mais sensíveis a estes ruídos é calar-se. Guardar a dor dentro de si, e sorrir num palco de depressão e ansiedade, afinal é muito difícil de ouvir, mais difícil ainda é falar sobre o suicídio.

 

Nos Estados Unidos, uma em cada cinco pessoas em idade produtiva foi diagnosticada com depressão, uma das maiores fontes de angústia de quem cogita tirar a vida. Por aqui, no país do futebol, terra de samba e carnaval, mais de um brasileiro se mata a cada hora, e outros três tentam se suicidar sem sucesso – são 32 vítimas por dia. E esses, vale destacar, são apenas números oficiais.

 

Tentar controlar a ansiedade só pode ser mais problemático do que se imagina, por isso o tratamento deve ser conduzido por profissionais habilitados, visto que prender ou reprimir os sentimentos pode ter efeito reverso. O momento da escuta é necessário. Intervenção com medicamentos, em determinados casos é essencial. Portanto, não basta esperar passar, pois isso pode não ocorrer nunca. Existem casos de pacientes que buscaram de forma isolada contornar a situação, mas é bom ressaltar que as palavras não ditas, os prazeres não satisfeitos, os gritos não dados vão matando dia a dia, e quase sempre são externados com suicídio.

 

O tema mexe e muito com nossas estruturas, e como amigos, familiares, ficamos muitas vezes sem saber o que fazer e como agir diante da pessoa acometida pela tristeza absoluta e que atenta contra sua própria vida, por isso procurar ajuda profissional é tão necessário. Por vezes o atendimento ao Centro de Valorização da Vida (CVV), auxilia, mas é fundamental que o atendimento especializado de psicólogos, psiquiatras e demais profissionais da saúde seja inserido na rotina.

 

Devemos debater o suicídio sim, desmistificar esse processo tão doloroso, e assim salvar vidas. Atentar contra a própria vida nem sempre é escolha, mas sim uma escalada dramática de quem não vê saída, não é fraqueza e muito menos covardia. São tantas as ideias preconcebidas que quebrar esse padrão requer um esforço coletivo.

 

E para mudar essa concepção, é preciso encarar o suicídio, e suas causas, como doença; um problema de saúde pública, reconhecido pelo Ministério da Saúde, e fazendo com que essa dificuldade seja vista com menos preconceito inclusive pelos profissionais da saúde, afinal alguns médicos e enfermeiros se deparam com casos de suicidas e são pouco tolerantes com os mesmos e suas famílias.

 

Nem precisamos reforçar que o suicídio não é aceito socialmente, afinal percebemos pelo fato de ser um tema pouco debatido, mas precisamos buscar formas de tocar nesta ferida que dificultar o diálogo, seja por ignorância, preconceito ou estigma.

 

Mesmo pacientes acometidos por depressão leve podem cometer suicídio e em todos os casos, um diagnóstico para o trabalho conjunto, paciente, família e equipe de Saúde, é importante, pois irão fazer a análise das possibilidades de tratamentos a todos os envolvidos.

 

Somente o profissional tem condições de diferenciar depressão unipolar ou clássica (tristeza, pesar e/ou a perda de interesse por atividades do cotidiano) de depressão do transtorno bipolar (depressão em pessoas que enfrentam oscilações rápidas de muito bom humor e irritação), do transtorno de personalidade borderline (condição mental grave, que provoca medo irracional, mudanças súbitas de humor e problemas de autoimagem) ou da esquizofrenia (transtorno psiquiátrico complexo caracterizado por uma alteração cerebral, que dificulta o julgamento correto sobre a realidade).

 

Sim, falar sobre o suicídio é preciso. Porém, a fronteira entre informar e incentivar pode se mostrar tênue. O consenso entre os profissionais especializados é não reforçar métodos, muito menos glamorizar a ideia, transformando o suicídio em um ato Romeu e Julieta.

 

Vamos deixar claro: tirar a própria vida não tem nada de glamouroso. É o último passo rumo ao abismo de quem nunca encontrou socorro, tampouco conseguiu se ajudar. Fique atento!

 

Dra. Laura Oliveira Gonçalves
Psicóloga. Atua na Abordagem Sistêmica (Terapeuta para casais, crianças, família, adolescentes).
Especialista em Avaliação Psicológica e Especialista em Psicologia do Trânsito.

Instagram: dralaura_psicologiaclinica – Cel.: (65) 98135-8840.

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