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Terça-Feira, 07 de Janeiro de 2020, 11h:03
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ONOFRE RIBEIRO
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2020

 

Neste primeiro artigo de 2020 vou tentar trazer uma leitura crítica à luz de uma realidade inevitável. Neste fim de ano minha mulher Carmem e eu decidimos dar uma volta de carro de Cuiabá a Minas Gerais, Brasília e de volta a Cuiabá. Algo como 3 mil quilômetros.

 

Na ida, desde Cuiabá a realidade é formada pela presença de intensas atividades econômicas no campo. Lavouras e mais lavouras. Na rodovia carretas e mais carretas. Isso significa o trânsito de produção e de insumos em larga escala. Quando cheguei à Serra da Petrovina, cerca de 80 quilômetros adiante de Rondonópolis a paisagem não mudou mais até Araxá, a 1.300 quilômetros, em Minas. Lavouras de soja, milho, eucalipto. Tudo em larga escala. Tráfego pesado nas rodovias.

 

Para os habitantes urbanos de cidades como Cuiabá, ou do litoral, o preconceito é grande. Traduzem tudo como interior. E se é interior não merece respeito porque a imagem é a do atraso da ignorância e da pobreza. É de doer tanta ignorância. O uso de tecnologias é vasto, a posse de bens é grande e a qualidade de vida é invejável. A propósito. Depois de Araxá, onde mora o meu tio Pedro, irmão do meu pai, e sua família, visitei e me hospedei na casa do amigo Tarcísio, em Campo

 

Alegre, distrito do pequeno município serrano de Santa Rosa da Serra. Lá vivem ele e o seus irmãos e famílias, entre eles Geraldo. Estudamos juntos na escola média, em Campos Altos. Vivem do café de suas lavouras, com a melhor qualidade de vida possível. Bons carros na porta, todo o conforto material, tecnologia à mão, a menos de 300 km de Belo Horizonte. Internet, telefone celular, água e energia elétrica, asfalto. Mais do que tudo isso: paz e renda de boa qualidade. Em Campos Altos visitei dois amigos: Joubert Bitencourt e Cleusa, e Miguel Célio Ramalho e sua família. Ótimas conversas e a mesma sensação de bem viver.

 

Essa é cara do interior que visitei. De lá até Brasília passei por Patos de Minas, um exemplo de riqueza e desenvolvimento à parte. Foi inevitável comparar a qualidade de vida daquela gente com a qualidade de vida urbana em cidades como Cuiabá e as cidades do litoral, por exemplo. Vida apertada, violência, renda curta, perspectivas de futuro bem complicadas.

 

De fato, o interior do Brasil que está na cabeça dos urbanos, não existe mais há pelos menos uns 20 anos. Saí de Campo Alegre morrendo de inveja do meu amigo Tarcísio e de toda a família. Vivem no paraíso.

 

Em outro artigo vou abordar a segunda face dessa viagem. Um país produzindo por conta própria pra alimentar um Estado atrasado, irresponsável, corrupto e gastador. Estenda-se às unidades regionais. Gigolôs de uma realidade que a política e a burocracia geral, incluindo os chamados poderes, não são capazes de lidar e mito menos de compreender.

 

Volto nesta semana a Cuiabá, dividido entre o entusiasmo da sociedade produtiva, e inércia burra do Estado que governa o país.

 

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

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Edição 216 Fevereiro de 2020

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