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Sexta-Feira, 24 de Janeiro de 2020, 09h:41
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ROBERTO FREIRE
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Barbárie e incompetência

 

Estamos numa situação gravíssima, mas as pessoas agem como se estivéssemos diante de um governo normal. Há que repetir à exaustão que a democracia está em risco e a ausência do sentido de urgência que deveria acompanhar essa constatação, gera apenas uma mistura de indignação com inação. Mais desalento do que angústia e ação efetiva para mudar os acontecimentos.

 

Bolsonaro disse que não havia “nenhuma denúncia de corrupção” contra membros de sua equipe. É verdade que, por ora, o Ministério Público ainda não formalizou nenhuma denúncia contra nenhum ministro, mas há pelo menos três (os do Turismo, do Meio Ambiente e da Economia) que estão sendo investigados. O titular da Secom poderá seguir pelo mesmo caminho. E há ainda a família. O primeiro filho e a mulher aparecem como recebedores de dinheiro no que pode ser um esquema de “rachadinha”.

 

Abraham Weintraub de forma arrogante e soberba havia afirmado na sexta-feira (17) que este havia sido o melhor exame de ENEM já realizado. Porém, já no dia seguinte confirmou a divulgação de notas com erros. Weintraub, admitiu no sábado (18) a existência de erros nas notas do Enem realizado no ano passado, querendo minimizar seus erros.

 

E a balbúrdia no Enem constitui apenas o problema mais recente de um ministério cujo desempenho até agora foi pífio, e que passou o último ano consumido por cruzadas ideológicas, trocas sucessivas em cargos de comando e paralisia institucional. O governo do presidente Jair Bolsonaro já responde a nove ações judiciais após a divulgação de notas do Enem 2019 com erros.

 

Ações pedem revisão da correção da prova e também suspensão do Sisu, sistema que seleciona alunos para universidades públicas a partir do desempenho no exame. Se esse é o melhor ENEM, qual seria o pior? Supondo que se possa comparar bobagens diferentes.

 

Concomitante a essa barbaridade, o ex-secretário de cultura Roberto Alvin, elogiadíssimo por Bolsonaro numa de suas postagens, de forma paradoxal, na hora de anunciar uma nova cultura “nacional”, ele escolheu a trilha sonora preferida de Hitler (Wagner), em vez de Carlos Gomes ou Villa-Lobos autores genuinamente nacionais. E pior, copiando o modelo nazista, dizendo-se nacionalista ou patriota, plagiou tudo de uma das piores figuras da história humana, o sr. Joseph Goebbels. Fez uma cópia malfeita de tudo de ruim que foi feito no exterior; um nacionalismo que copia projetos de outras nações e de outras épocas. E Bolsonaro falou que esse indivíduo foi o que melhor fez por nossa cultura.

 

Sem renunciar a ideologia, sem renunciar em definir uma identidade nacional, pois as escolhas culturais pertencem às pessoas, não ao governo, enunciou inúmeras sandices sobre cultura, nação, querendo impor um programa nazista ao Brasil. Só Bolsonaro, um bruto, um rústico, um ignorante, podia enxergar as “virtudes” do sr. Alvin, que caiu não porque o presidente condenasse o nazismo do subalterno, mas porque sofreu pressão da sociedade e dos demais poderes.

 

Como Bolsonaro não tem cultura, nem educação, desde o início do seu governo essas áreas estão destinadas àqueles que querem destruir essas funções estratégicas de qualquer nação que tenha ambições de ser autônoma e autossuficiente.

 

Nacionalistas que admiram os líderes e os hábitos de outras nações é mais do que tolo, é desonesto. O Brasil não precisa que direcionem sua cultura, pois a cultura é algo eminentemente pública, construída no agir diário de todos nós. O Brasil precisa é que não atrapalhem sua trajetória com brigas tolas e ofensas sem sentido às diferenças culturais, pois que supostas maiorias não podem ser hegemônicas em relação ao agir cultural das minorias: o Estado deve garantir é a pluralidade, não a unanimidade, que sempre é tola, como já dizia Nelson Rodrigues.

 

ROBERTO DE BARROS FREIRE é professor do Departamento de Filosofia da UFMT

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Edição 216 Fevereiro de 2020

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