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Terça-Feira, 21 de Janeiro de 2020, 09h:48
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ROSANA LEITE
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A toxicidade

 

Em 1991 estreou mundialmente o filme americano “Dormindo com o Inimigo”. Nele é narrada a história amorosa de Sara e Martin. De início o enredo retrata um casamento perfeito, onde o homem se desmancha de amor por sua escolhida. Com o passar do tempo, ficam comum as agressões do homem contra a mulher, já que o marido é obsessivo e agressor. Constantemente ela sofria lesões corporais.

 

Segundo a história, o temor da mulher era tanto que a todo momento, após perceber estar em relacionamento totalmente abusivo, tentava fugir do homem. Boa parte do enredo narra a mulher em busca de socorro. Até que, para se livrar de vez, forjou a sua morte, sumindo do agressor e mudando de nome. Ele passou a procurá-la incessantemente ao desconfiar da trama.

 

Naquela época, apesar de toda a monstruosidade revelada para a sociedade, pouco se acreditou que “na vida real” alguém pudesse sofrer daquela forma. Ledo engano. As perseguições a mulheres e feminicídios com riquezas de maldades são fato. Parece que as histórias se repetem, mudando, às vezes, as vítimas. Digo e repito: às vezes. Existem inúmeras mulheres vítimas de homens que já agrediram outras mulheres.

 

Martin, além de cometer violência doméstica contra a personagem Sara, também demonstrava perseguições típicas de portadores de transtornos obsessivos compulsivos. Ver a mulher preocupada com a arrumação das toalhinhas do banheiro, que deveriam estar em perfeita ordem para não ser espancada, é assustador.

 

Todavia, é possível perceber relacionamentos amorosos dando sinais de perigosos, de extrema perseguição e violência. Conviver com alguém e tentar o mudar, é deixar a essência daquela pessoa por quem se apaixonou de lado. Existe a insistência em começar a se relacionar e apostar “moldar” a outrem. De outro lado, pesquisa da Data Senado aponta que 72% das mulheres entrevistadas, e que sofrem violência doméstica e familiar, preferem não buscar ajuda do Poder Público por medo do agressor.

 

No Show Business brasileiro um certo casal tem chamado a atenção. Os dois são famosos, e resolveram se unir em namoro. Ele e ela possuem muitos fãs. Estão no auge do sucesso. Ambos conheciam o trabalho um do outro e da outra, antes de iniciarem o romance. Sem fãs nada seriam, não há qualquer dúvida. Entretanto, é visível o ciúme entre ele e ela e vice-versa. O que assusta é a forma como a mulher é exposta. A todo momento é mostrado que “força” o homem a tomar uma decisão sobre casamento, e ele faz questão de deixar isso público. Ela oferece presentes caríssimos a ele para que o pedido de casamento seja uma realidade. Certa vez, em um dos parques da Disney, o homem mostra uma foto em rede social onde está ajoelhado aos pés dela como se fosse a pedir em casamento de maneira romântica diante do castelo da Cinderela. Mas, a legenda da foto era a seguinte: “posso amarrar o seu tênis? ”. Da última vez que retomaram o relacionamento, após um dos términos, ela assume a culpa da briga publicamente. A humilhação fica evidente para com ela.

 

Porque algumas aceitam tanta exposição? Porque uma mulher independente financeiramente ainda persiste em relacionamentos tóxicos? A humilhação é normal? A cultura de que as mulheres devem se casar ainda persiste?

 

É bom reforçar que humilhação, constrangimento e agressão de qualquer órbita no ambiente doméstico e familiar pode redundar na confecção de boletim de ocorrências com as implicações da Lei Maria da Penha, com o pedido de medida protetiva de urgência. A referida norma tem garantido a integridade física de muitas mulheres, evitando os temidos feminicídios.      

 

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual.

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Edição 215 Fevereiro de 2020

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