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Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 10h:56
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Escola sem partido

Por: ROSÁRIO CASALENUOVO

Divulgação

Rosário Casaneluovo

 

Escola sem partido?

 

Escola com um partido apenas (sempre esquerda)?

 

Ou escola livre e neutra com todos os partidos? 

 

Qual você quer para seu filho estudar?

 

Está acontecendo uma guerra na qual as armas são a palavra e os conceitos. Será votado um projeto de lei que visa limitar o comportamento dos professores e das escolas, ao abordar temas ligados a conceitos políticos.  De um lado, a direita conservadora entende que os professores aliciam os alunos para se encantarem pela filosofia da esquerda, que é socialista, comunista e anticapitalista. No outro extremo, estão os professores e parte da sociedade, que classificam a atitude como uma mordaça, o bloqueio da liberdade de expressão, uma atitude que vem da ditadura militar , tipo AI5. Lembra-se do movimento proibido proibir? 

 

A humanidade transita em um pêndulo que se movimenta da esquerda para a direita, sendo que ele somente retorna quando chega ao extremo e todos os movimentos que foram feitos para empurrar o pêndulo para um lado agora caem por terra, e os incomodados criam novos protestos para mover esse cordão para o lado oposto. Então a musica do Caetano Veloso “Proibido Proibir” está demodê, fora de moda, ultrapassada, considerando que estamos  com a bola de ferro que se balança no espaço e no tempo, foi para o extremo do socialismo liberal, parou e agora esta voltando lentamente e se movendo no sentido da direita conservadora. A arte sempre caminhou assim, recordam dos movimentos literários? Sempre um se opondo ao outro e a vida segue a arte sempre.

 

Há coisas novas na parada. Outras gerações que nasceram com tanta liberdade que hoje a educação não é mais educação e sim um relacionamento horizontal (onde todos mandam igual e  obedece  ninguém ou quem quer). Dá para entender isso? Se entendeu, me explique. Hoje, uma geração de filhos “perdidos”, sempre ouvi isso, meus avós falavam dos meus pais, e meus pais de nós. Mas diante de tanta bagunça, os filhos de hoje estão mais “caretas” que os pais.  Pelo menos os meus são. Os espíritas falam que a geração dos pais é de intelectuais, e os filhos índigos trazem os conceitos morais. Achei perfeito isso.

 

O Brasil hoje pede ordem. Então vamos colocar ordem nessa confusão! Qual alternativa você escolheu nos temas acima? A escola sem partido? Escola com apenas um partido (o de esquerda) ou a escola livre e neutra com todos os partidos?

 

Acredito que seja a última, para que o aluno conheça todos os partidos e a política com o jeitão que ela tem no Brasil. Escola é para dar informação e não induzir ao convencimento, à unanimidade, que é sempre burra.

 

Fui professor durante 30 anos e acho um desperdício o aluno sair pensando como eu penso. Gosto de dar subsídios para que novas ideias e conceitos surjam. A divergência é minha amiga, só me faz bem, me força a crescer. Se eu tenho uma ideia e alguém me traz outra contrária, vamos juntar as duas e formar a terceira. Não é maravilhoso?

 

Então se os gritos forem por uma escola de apenas um partido (esquerda, nunca vi de direita), isso é uma mordaça aos estudantes, é um bloqueio de informações, uma censura como em uma ditadura, que por sinal acontece em todos os países comunistas, como Cuba, Coréia do Norte, Venezuela. Esses países controlam a imprensa, existe  somente um partido que é o vermelho. Não se pode ter nenhum oponente. 

 

Temos uma jovem democracia, não gostamos da ditadura, mas pela história como o Betinho que fala em um vídeo que passa todos os dias na Globo News, “existe uma maneira de contar a história e uma maneira de fazer a história”, acredito que quando os militares tomaram o poder e formaram uma ditadura capitalista, os comunistas estariam prontos para tomar o poder também e formar uma ditadura comunista, como em Cuba e União Soviética, não escaparíamos da repressão.  Mas já passou e agora temos sempre um medinho que os partidos dos extremos possam trazer de volta a dita ditadura.

 

Ensinar é muito prazeroso, levar a luz para as crianças e jovens, várias formas de pensar, e colocar com o zelo de não ter tendências, de não influenciar nas conclusões, mas sim estimular a tira-las por si só. O filosofo espiritualista Osho disse: “as crianças só deveriam ter um influência sobre as doutrinas religiosas após os 13 anos de idade, para depois escolher a religião que lhe tocar. O que eu ensinava em uma aula, ou até mesmo em um curso de 3 anos, era muito pouco para a vida prática. Colocar em dúvida o quanto não sei e o que tenho para buscar e aprender é o que dá sentido à ciência. Ensinar a buscar a ser aprendiz sempre.

 

Agora, uma discussão sobre esse tema, que pode definir um novo posicionamento do professor durante as aulas, deve ser bem entendida para que os pais possam escolher o que será aplicado para conduzir o modo de pensar dos futuros trabalhadores brasileiros e, principalmente, os futuros eleitores que escolherão o regime político deste país.

 

Rosário Casalenuovo Júnior
Diretor clínico do Instituto Machado de Odontologia

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Edição 157 Novembro de 2018

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