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Governador Pedro Taques: A cada dia mais longe da reeleição

Redação

 

O governador Pedro Taques (PSDB) deverá encontrar enormes dificuldades para se reeleger. Hoje, o fator que o projetou na política, que é o combate à corrupção, principalmente quando atuou como procurador, não é mais suficiente para arrebatar a aceitação popular. Taques vem enfrentando enorme desgaste frente ao funcionalismo público estadual, principalmente por não conseguir pagar a Revisão Geral Anual. Na saúde, não consegue dar fim aos problemas, que se agravam a cada dia. Vem perdendo aliados importantes, e para quem esperava ganhar de W.O, vê o projeto reeleição se complicar cada vez mais.

Dois de seus principais aliados políticos estão cotados para disputar as majoritárias em 2018, ou seja, o ex-prefeito de Cuiabá e o atual secretário de Assuntos Estratégicos de Várzea Grande, ex-senador Jayme Campos (DEM). O ex-gestor cuiabano estaria de malas prontas para desembarcar no Democratas, e conforme notícias de bastidores, os líderes da legenda já estariam se animando para lançar uma chapa pura, com o ex-prefeito ao governo e Jayme novamente disputando o Senado.

É bom destacar que ambos já declararam publicamente que não mais possuem compromissos com Pedro Taques, que o acordo que mantinha se referia ao pleito de 2014, e que para 2018 novas articulações devem acontecer, deixando claro que têm sim a intenção de disputar o pleito, principalmente levando-se em consideração que o ex-prefeito desistiu da reeleição às vésperas da convenção em 2016 e que Jayme já anunciou que estará deixando a Secretaria em março, estando em stand by para as eleições.

Outro aliado de primeira hora, deputado federal Fábio Garcia, que também está indo para o DEM, já legou que a aliança com Pedro Taques ‘não é eterna’.

A oposição ainda não está organizada, baseando-se nos nomes do senador Wellington Fagundes (PR) e o conselheiro afastado do Tribunal de Contas Antonio Joaquim, que ainda não conseguiu sacramentar sua aposentadoria. Porém, os partidos já buscam a formação de um arco de alianças para enfrentamento do governador, e embora digam que o nome do ex-prefeito de Cuiabá hoje seja de situação, não deixam de tecer elogios ao gestor, em um claro sinal de que estão abertos à conversação.

E Pedro Taques pode ter ainda como inimigo de palanque um nome que é considerado aliado de primeira hora, o vice-governador Carlos Fávaro (PSD), que insiste em dizer que é fiel ao gestor estadual, mas que nos bastidores vem ganhando força para disputar cadeira número um do Paiaguás, principalmente pelo discurso do presidente do diretório nacional da legenda, de que a sigla pode lançar um candidato ao governo de Mato Grosso em outubro.

ATRASOS DOS PODERES

Pedro Taques também não tem conseguido agradar aos chefes dos demais Poderes, com constantes atrasos nos repasses dos duodécimos. Na última reunião, apresentou proposta que vem sendo rechaçada. De acordo Taques, o duodécimo de janeiro não será repassado. Já entre fevereiro e abril, serão retirados 20%. Os valores começarão a ser recompostos em maio deste ano.

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rui Ramos, foi o primeiro a anunciar que não aceita a proposta. “Ressalto que a impossibilidade de adesão aos termos propostos pela equipe técnica do Governo não configura qualquer desconhecimento ou incompreensão quanto à realidade econômica vivenciada pelo País e, por conseguinte, pelo Estado de Mato Grosso. Tampouco representa ausência de espírito público”, disse o desembargador, no documento encaminhado ao Governo.

O presidente da Assembleia, deputado Eduardo Botelho (PSB), se disse decepcionado. “Financeiramente, ficou o sentimento de decepção, porque fomos lá cobrar os atrasados. É aquela história: você vai cobrar a pessoa e ainda sai arrancando dinheiro do bolso e dando mais um pouco. Foi mais ou menos isso”, disse 

O único que aceitou a proposta até o momento foi procurador-geral de Justiça Mauro Curvo, presidente do Ministério Público Estadual. Ainda não há definição por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Por parte da Defensoria Pública, também houve recusa à proposta de redução no pagamento do duodécimo.

Mais uma vez o governador deverá marcar reunião, onde deve apresentar uma contraproposta, mas sem garantias de cumpri-las, isso se levarmos em conta os acordos fechados nos últimos encontros, que não foram cumpridos por parte do Executivo Estadual.

DESGASTE JUNTO AOS SERVIDORES

Como se não bastasse o não pagamento integral da Revisão Geral Anual (RGA), que provocou um enorme desgaste junto ao funcionalismo público estadual, Pedro Taques não tem conseguido quitar a folha salarial em dia. Mesmo tendo transferido a data de pagamento para o dia 10, vem implementando o escalonamento da folha, desagradando a todos.

Para o pagamento do mês de janeiro, já avisou que depende do fluxo de caixa. “Que governador quer atrasar salários? Nós queremos pagar em dia e estamos pagando até o dia 10. Não posso ainda falar em parcelamento porque estamos trabalhando com fluxo de caixa”, disse.

Porém, as notícias dão conta de que os salários poderão ser divididos em até quatro datas.  A primeira, chamada de “Folha 22”, contemplará quem ganha até R$ 4 mil reais. Em seguida, a “Folha 23” englobará salários entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. Fazem parte da “Folha 24” aqueles que terão direito a receber de R$ 6 mil a R$ 10 mil. A última faixa é a “Folha 25”, onde estão incluídos aqueles que terão salários acima de R$ 10 mil.

O escalonamento de salário dos servidores do Governo do Estado tem sido frequente desde a folha de setembro do ano passado, quando a divisão foi feita por secretarias. Já a folha de outubro, o escalonamento foi por faixas salariais, onde quem recebe mais teve o salário depositado apenas no dia 22 de novembro, ou seja, com 12 dias de atraso.

A folha de outubro foi paga integralmente no dia 10 de dezembro e não houve escalonamento. Já a folha de dezembro, vencida em 10 de janeiro, novamente foi dividida por secretarias. Ao que tudo indica, em fevereiro, a divisão voltará a ser feita por faixas salariais, caso o Governo realmente não tenha dinheiro em caixa para pagar toda a folha.

ESQUEMA NA SEDUC E CAIXA 2

A gestão do governador Pedro Taques também se viu envolta em esquema de corrupção, com fraudes em licitações na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), com pagamento de propina de empresários com o objetivo de quitar dívidas de campanha. O caso, inclusive, levou à prisão o então secretário de Educação, Permínio Pinto.

Sócio-proprietário do Buffet Leila Malouf é acusado de participar do esquema investigado pela "Operação Rêmora", que apurou esquema de fraudes em licitações e pagamentos de propina na Secretaria de Estado de Educação, o empresário Alan Malouf disse em depoimento que se beneficiou com R$ 260 mil do esquema de desvios na Seduc, e que o dinheiro foi usado como pagamento de parte de uma dívida da campanha do governador Pedro Taques de 2014, da qual foi um dos coordenadores. O total devido por Taques, relatou, era R$ 2 milhões, além de afirmar que o governador tinha conhecimento do esquema.

Como se era de esperar, o governador nega a acusação, classificando as declarações do investigando como uma tentativa sórdida e mentirosa de envolvê-lo em ações criminosas das quais jamais teve conhecimento, tampouco delas deu ordem ou participou. As investigações ainda estão em curso, mas causaram um enorme desgaste na imagem daquele que se colocava como feroz combatente dos atos de corrupção.

GRAMPOS ILEGAIS

Ex-procurador conhecido por prender barões do crime, hoje Taques é alvo de investigações para saber se ele mesmo não seria autor de um esquema que grampeou a cúpula de poder do Mato Grosso. As investigações estão a cargo do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça.

O caso levou à prisão de diversos secretários, entre eles o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o titular da Secretaria de Segurança Pública, Roger Jarbas, da Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira, o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar, o major Michel Ferronato; o sargento João Ricardo Soler, além de outras pessoas que já fizeram parte do staff. Atualmente se encontram presos apenas o coronel Zaqueu Barbosa e o cabo Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior. Ambos foram os primeiros a ter a prisão decretada, em 23 de maio deste ano.

As escutas ilegais teriam começado no período das eleições de 2014, quando o gestor peemedebista ainda era governador e Taques disputava as eleições. Em 2015, novos nomes foram incluídos nas escutas. As gravações atingiram até mesmo membro do Ministério Público Estadual.

BRIGA INTERNA NO NINHO

Como se não bastasse os percalços para disputar o embate eleitoral, Taques enfrenta dificuldade dentro do seu próprio partido. A rusga com o deputado federal Nilson Leitão levou o governador até mesmo a cogitar deixar o ninho tucano.  O caldo entornou depois que o governador foi comunicado do resultado de uma reunião da Executiva estadual que, entre os posicionamentos, definiu que vai brigar também para viabilizar Leitão ao Senado. Com isso, as articulações visando uma aliança seriam mais difíceis, pois o PSDB teria as duas vagas ocupadas na majoritária.

Para piorar ainda mais a situação, o nome de Leitão agora vem sendo cotado como provável candidato ao governo, e ele estaria disposta a uma prévia com Taques pela vaga. O novo presidente da legenda, Paulo Borges, tem tentado colocar panos quentes na discussão, mas ainda sem sucesso.

 

 


Fonte: Notícia Max

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