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24 de Junho de 2024

CIDADES Segunda-feira, 07 de Junho de 2021, 08:46 - A | A

Segunda-feira, 07 de Junho de 2021, 08h:46 - A | A

ENTREVISTA DA SEMANA

Flávio Stringueta: “Os maiores causadores de morte são os políticos corruptos”

Stringueta defende que as milhares de mortes diárias, em sua maioria, estão ligadas à corrupção praticada por daqueles que se encontram no comando da esfera pública

Nathany Gomes – Especial para Notícia Max

O delegado atualmente lotado na 2º Delegacia de Polícia Civil da Capital, Flávio Stringueta, é o entrevistado da semana do Notícia Max. No último dia 25 ele conversou com a reportagem, quando afirmou ser contra instauração da pena de morta no Brasil. Segundo ele, a Justiça no país é falha e em casos de julgamentos errados, estes não poderão ser retratados, podendo levar inocentes à morte.

Stringueta defende que as milhares de mortes diárias, em sua maioria, estão ligadas à corrupção praticada por daqueles que se encontram no comando da esfera pública, superando, até mesmo, o extermínio por parte das facções criminosas.

À reportagem, o delegado comentou ainda acerca de seu posicionamento polêmico contra o Ministério Público Estadual (MPE) e adiantou também que a possibilidade de disputar as eleições de 2022 não está descartada e já recebeu diversos convites partidários.

Notícia Max – Como o senhor vê as recentes mudanças dentro da PJC?
Flávio Stringueta - A diretoria da Polícia Civil quando ficou sabendo do primeiro artigo que eu fiz, ela tomou uma decisão no dia seguinte da publicação e na segunda-feira eu fui comunicado dessa decisão. Eu vejo que eles tomaram uma decisão precipitada e equivocada. Porque você exonerar um delegado de Polícia de um cargo por ter emitido uma opinião pessoal ela enfraquece a instituição, demonstrando que ela está refém de outra, no caso, o Ministério Público Estadual (MPE). Eu fui informado com todas as letras que a motivação era o artigo e o desconforto que gerou com o MPE, por ser uma pessoa de certa importância na Polícia e muito reconhecido. Foram essas palavras, mais ou menos que disseram. Se fosse outro delegado poderiam não ter feito isso, mas mesmo assim, eu vi como uma decisão precipitada, equivocada e que enfraqueceu ainda mais a enfraquecida Polícia Civil de Mato Grosso.

Já fui sondado por inúmeros partidos, fiz reuniões. As duas legendas que mais me chamaram atenção e que pode ser uma delas, são o PRTB e Patriotas

Hoje, eu vejo que os delegados têm medo de se expor por conta desse tipo de situação, eles não se manifestam em grupos abertos, mas no privado, falando comigo, eles disseram que não apoiam a decisão da diretoria e que é um absurdo esse tipo de situação, se pôr refém de outra instituição. Mas hoje eu estou muito bem aqui na Segunda Delegacia de Polícia, um ambiente muito agradável, com pessoas comprometidas e o serviço é bem tranquilo, mais que na Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), mas a gente está tirando de letra, aprendendo a trabalhar com crimes que eu não trabalhava há algum tempo.

Notícia Max - O senhor foi o responsável pela operação que prendeu a alta cúpula do Governo Taques. Como analisa o processo? Acha que está parado?
Flávio Stringueta - Os procedimentos investigativos estão caminhando. A delegada Ana Cristina Feldner que está à frente, ela não me fala detalhes que são sigilosos, mas pela nossa amizade, a gente conversa sempre, ela me posiciona sobre quando que irá acabar alguns procedimentos, algumas coisas que estão em andamento, sem quebrar o sigilo das investigações. O que aconteceu nesse caso foi que em 2017, depois da prisão da alta cúpula do Governo Taques, levando em consideração que a PJC naquela época foi à única Polícia Civil do Brasil que prendeu secretários de governo em exercício, isso não foi bem administrado e digerido pela própria Polícia aqui do Estado. Depois da prisão deles, onde ficaram pouco mais de um mês, durante esse período o Taques – ex-governador – usou uma manobra jurídica e conseguiu se colocar como suspeito também dos grampos e que o Supremo Tribunal da Justiça (STJ) avocasse as investigações. Ele tem fórum prerrogativo de função e quem pode julgá-lo é somente o STJ. Isso atrapalhou, pois foram avocados os inquéritos e lá eles ficaram parados. Quando Pedro Taques saiu do governo, começo de 2019, que retornaram os inquéritos para ser dada continuidade. Então, essa quebra de sequência atrapalha bastante. Até que a doutora Ana Cristina conseguisse se inteirar novamente de tudo, como estava e como deveria ser feito, tem certo atraso, mas está a pleno vapor (os trabalhos) pelo que eu sei.

Notícia Max - No Brasil sempre houve a discussão sobre a adoção da pena de morte. O senhor é contra ou a favor?
Flávio Stringueta - Não sou a favor. Porque conheço bem os trâmites processuais e a gente vê que é muito fácil ter erros e sabemos que há em muitas condenações, caso haja em uma condenação dessa e a pessoa for morta por conta de uma decisão equivocada, não tem como voltar atrás, ou seja, eu sou a favor da pena de prisão perpétua, mas não a pena de morte. Alguns crimes com requintes de crueldades, como por exemplo, latrocínios, feminicídios, homicídios cruéis, demonstrando a psicopatia da pessoa, é prisão perpétua. Outro fator que me leva a não querer a pena de morte é que somente criminosos sem condições financeiras é que seriam os apenados. A gente conhece bem a cultura brasileira, como funcionam as coisas por aqui e aqueles que conseguem chegar até os tribunais superiores para conseguirem serem revistas as decisões são somente as pessoas que tem ‘dinheiro’, outros coitados não tem. Uma coisa que eu sempre falo é que quem são os maiores causadores de morte no país são os políticos corruptos, esses matam muito mais que as facções criminosas do Brasil todas juntas, e esses não estariam entre os crimes que teriam pena de morte, por vários fatores eu sou contra.

Notícia Max - O nome do senhor é apontado como pré-candidato ao pleito de 2022, tem a pretensão de disputar a eleição?
Flávio Stringueta - Estamos conversando sobre isso. O que eu tenho rebatido e vou rebater eternamente, é que não foi para entrar na política que eu agi como eu agi. Não sabia, talvez por ingenuidade, que iria dar tamanha repercussão. No passado eu já tinha criticado o MPE e não entrei na política, isso em 2017. Eu estava em alta naquela época, na Grampolândia Pantaneira, e poderia ter me aventurado, mas não é isso e nem hoje a minha intenção de ser político. Eu estou com quase 24 anos na Polícia e é isso que eu sei fazer. Minha ideia era me aposentar tranquilamente e não falta muito tempo na corporação.

Notícia Max – Acredita, caso haja uma possível candidatura do senhor, que a sua popularidade conquistada será uma vantagem nas urnas?
Flávio Stringueta - O que eu vejo é que eu perdi espaço na Polícia. Essa turma que está hoje na diretoria era a minha turma, meu pessoal de confiança e vice-versa. Se as pessoas que eram minhas aliadas fizeram isso comigo, imagina aqueles que eu não tenho a mesma aliança. Eu acredito que a Polícia Civil hoje tirou meu espaço, embora como eu dissesse, eu estou muito bem aqui, mas acredito que estar aqui vá contribuir como eu gostaria para o bem da sociedade. São crimes muito leves, que não tem impacto na criminalidade mesmo quando apurados. Então, por conta disso tudo, a Política passou a ser uma possibilidade. Já fui sondado por inúmeros partidos, fiz reuniões. As duas legendas que mais me chamaram atenção e que pode ser uma delas, são o PRTB e Patriotas. O PRTB tem o vice-presidente da República, Hamilton Maurão e o Patriotas poderá ter o presidente Jair Bolsonaro – atualmente sem partido. O PRTB está um pouco à frente na minha preferência, porque eles não trabalham com fundo eleitoral, ou seja, quem quiser ser político pelo partido tem que custear sua própria campanha e eu acho que isso é essencial. O fundo eleitoral é abastecido com dinheiro público. Acho um absurdo uma pessoa ter a intenção de ser candidato e povo pagar para ele ser candidato.

Notícia Max – O senhor pretende voltar atrás e pedir desculpas ao MP sobre tudo que disse?
Flávio Stringueta - Voluntariamente não. Espontaneamente não. O que eu falei foi sobre imoralidades e não sobre ilegalidade. Não fiz nenhuma colocação mentirosa, pois a moralidade é algo subjetivo. O que é moral para um pode não ser para outro e em minha opinião aquelas situações eram imorais e não vejo motivos para ter que pedir desculpas porque eu emiti uma opinião que ela é subjetiva, cada um tem a sua. Caso o MP pediu na Justiça e o juiz determinar, decisão judicial a gente cumpre, mas espontaneamente e voluntariamente não vejo nenhuma necessidade de pedir desculpas.

O meu objetivo com tudo isso que aconteceu era mostrar para sociedade que a gente não deve ficar só na indignação e partir para ação. Se indignar e ficar comentando essas coisas só em rodas de amigos não é suficiente, o que eu quero é que melhorem às instituições. Se o MP não percebeu que aquilo ali agredia a sociedade, eles não tiveram essa sensibilidade, eu achei que eu tinha o dever de alertar. É uma instituição extremamente necessária e forte e, eu, gostaria que ela continuasse assim, porém melhor vista pela sociedade, pois estão sendo vistos com ‘olhares tortos’.

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