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ESPORTE Domingo, 13 de Novembro de 2016, 19:28 - A | A

Domingo, 13 de Novembro de 2016, 19h:28 - A | A

Saudade

“Minha mãe mandou uma carta com um fio de cabelo dela”, diz atleta

Equipe de MT conquista prata no basquete feminino do JUBs

Lousdembergue Rondon / Foto: Junior Martins

Do esporte na adolescência para a seleção brasileira, carreira de profissional nos Estados Unidos e professora de educação física. Certas pessoas, como Elisangela Regina Reis, uma sorrisense de 34 anos, tiveram a vida moldada pelo desporto. E compartilham em comum o dilema de conciliar a vida pessoal com a carreira de desportista, com isso sacrifícios são feitos e rumos são tomados. Membro do time que representou Mato Grosso, a basquetebolista faturou prata nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs).

 

“A minha maior felicidade foi ter jogado na seleção brasileira juvenil em 2001. Treinei com atletas que sonhava em conhecer desde a adolescência. Nosso time representou o Maranhão na liga adulta naquele ano. Não chegamos as finais, pois não tínhamos experiência e nem as mesmas habilidades que os adversários, porém ganhamos bagagem. O esporte nos coloca para superar limites o tempo todo e encarar a vida com determinação”, comentou Elisângela Regina.

 

Nascida em Toledo no Paraná, a atleta foi para Sorriso (MT) aos dois anos de idade. O pai dela havia conseguido oportunidade de abrir um comércio de pré-moldados. Começou desde cedo no esporte, por incentivo dos professores que admiravam a altura dela, uma adolescente de 1,94 de altura. Com 16 anos ela passou um ano em competições de basquete em Araputanga (MT). Por se destacar, foi convidada a jogar na Unimed Americana, em Araçatuba (SP), sendo campeã brasileira em 2001.

 

“Em São Paulo eu joguei no banco do time adulto por causa da minha altura e no destaque que conseguia. Apesar de receber salário, era difícil sair, o treinamento era rígido. Neste período fiquei muito solitária, morava em uma república com outras atletas, mas elas eram rivais disputando para serem titulares. Lá eu recebi a proposta de uma bolsa em uma universidade nos Estados Unidos, com tudo pago e remunerado. A proposta era irrecusável e parti em 2002”, explicou a jogadora.

 

No Texas (EUA) Elisangela passou dois anos no time da faculdade e competiu em diversas cidades e estados. De acordo com ela, a principal diferença do esporte nos Estados Unidos e no Brasil é a valorização da atividade e do atleta. Com a promoção de bolsas universitárias e maior quantidade de campeonatos regionais e federais. Por conta da solidão acabou por se casar, deixou a faculdade, conseguiu um emprego de governanta, teve uma filha e voltou para o Brasil em 2007, após ter morado na América do Norte por cinco anos.

 

“Aqui no Brasil um jogo de basquete, mesmo gratuito reúne pouca gente. Nos Estados Unidos mesmo uma competição de cidade pequena cobra ingresso e as arquibancadas ficam lotadas. Eu adorei ter vivido lá, contudo sentia saudade. Lembro que uma vez minha mãe mandou uma carta com um fio de cabelo dela. Quando peguei nele comecei a chorar, era a única forma de contato com ela. Depois que tive uma filha, com 24 anos, eu decidi que não queria que ela vivesse lá”, disse a basquetebolista.

 

No Brasil Elisangela continuou a participar de campeonatos e conseguiu uma bolsa integral para fazer parte do time da faculdade. Se formou em licenciatura de educação física e hoje dá aulas para crianças e adolescentes. Segundo a atleta, que hoje está a cursar o bacharelado em educação física, é um desafio trazer os jovens para o esporte, por conta da tecnologia de consumo e a facilidade na aquisição de vídeo games.

 

“Como professora eu vejo alunos que saíram de um ambiente propício para a violência e as drogas por causa do esporte. A atividade desportiva tem essa característica social em dar uma ocupação aos jovens que vivem em lugares mais isolados. Porém a dificuldade é tentar disputar pela atenção do adolescente que está no computador ou ao celular. A nossa sociedade atual pratica menos atividades físicas que a geração passada, e a missão do professor será mudar essa realidade. Uma das formas que encontro é desde cedo oferecer brincadeiras que estimulem a atividade física”, pontuou.

 

Os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) ocorreram em Cuiabá (MT), sob organização da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e Federação Mato-grossense de Esporte Universitário (FMEU), em parceria com Governo Federal e Governo de Mato Grosso e apoio da Prefeitura de Cuiabá. Assessoria FMEU – www.clippingcom.com

 

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