O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil deve registrar mais de 25 mil novos casos anuais de câncer de boca e laringe no triênio 2026–2028. Esses tumores fazem parte da categoria de cânceres de cabeça e pescoço, que também afeta a tireoide, glândulas salivares e a pele da região. O principal obstáculo no combate à doença no país é a descoberta tardia: por falta de exames de rotina populacionais, a maioria dos pacientes só chega aos consultórios em estágios avançados, quando os sintomas iniciais duram semanas sem a devida investigação especialista.
Além dos fatores de risco tradicionais como o tabagismo e o consumo de álcool, os médicos alertam para uma mudança marcante no perfil dos pacientes. A infecção pelo vírus HPV tem provocado o aumento significativo de tumores na garganta e na parte de trás da boca em adultos mais jovens, entre 40 e 50 anos, muitos sem histórico de fumo.
"São tumores com significativa mortalidade no Brasil, especialmente porque os pacientes já apresentam doença avançada ao diagnóstico. Por isso, o maior desafio é o diagnóstico precoce. A prevenção se baseia em mudanças de hábitos, e é fundamental educar a população sobre os sinais de alerta para saberem quando procurar avaliação médica", afirma a oncologista Gabriela Chaves, coordenadora do Serviço de Oncologia no Mater Dei Contorno e no Mater Dei Betim-Contagem.
A boa notícia é que a oncologia moderna evoluiu na precisão de exames de laboratório e tratamentos, combinando radioterapia, cirurgias robóticas e imunoterapia para curar preservando funções como a fala e a deglutição.
"O grande desafio é que os sintomas iniciais, como rouquidão ou uma afta que não cicatriza há mais de duas semanas, são muito comuns e facilmente confundidos com infecções simples. Qualquer sintoma nessa região que dure mais de 15 dias exige avaliação de um especialista. Hoje temos tecnologia de ponta, exames de imagem e laboratório integrados, além de acesso rápido aos tratamentos mais modernos, como a imunoterapia", explica o oncologista Bruno Favato Neto, do Mater Dei Santo Agostinho e Nova Lima.
Sinais de alerta que exigem avaliação médica (mais de 15 dias de duração)
Feridas na boca: Aftas ou lesões na língua, gengiva ou bochechas que não cicatrizam em duas semanas.
Alterações na voz: Rouquidão ou mudança no tom de voz sem causa gripal aparente.
Dificuldades funcionais: Dor ou dificuldade persistente para engolir alimentos e líquidos, ou sensação de caroço na garganta.
Nódulos: Aparecimento de caroços ou inchaços indolores na região do pescoço.
Prevenção: Vacinação contra o HPV, hábitos de higiene bucal, uso de protetor solar labial e interrupção do uso de tabaco e álcool.
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