Cuiabá, 04 de Março de 2026
Notícia Max
04 de Março de 2026

INTERNACIONAL Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 09:10 - A | A

Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 09h:10 - A | A

corrida armamentista

Por que gastos militares da Alemanha estão preocupando países vizinhos?

Primeiro-ministro alemão prometeu criar o maior exército da Europa em resposta à agressão russa

R7

O governo alemão deve investir US$ 127 bilhões no setor militar ao longo de 2026. O valor é o mais elevado da Europa. O Reino Unido, por exemplo, gastará cerca de US$ 84 bilhões, enquanto a França cerca de US$ 70 bilhões.

A Alemanha já investe significativamente mais recursos em defesa do que outros países europeus, aponta o Atlantic Council, centro de pesquisa com sede em Washington, nos Estados Unidos.

 Além disso, o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, prometeu criar o maior e melhor exército da Europa em resposta à agressão russa e ao desinteresse americano.

Os novos investimentos contrastam com o encolhimento das forças armadas alemãs, influenciado pelo histórico de guerras do país após a Segunda Guerra Mundial e pela crença de que o colapso da União Soviética, em 1991, inauguraria um período de maior estabilidade global. O país tinha adotado nas últimas décadas uma postura avessa a conflitos.

A Alemanha tenta, agora, alcançar o nível de outras potências em seus investimentos e, para isso, já se comprometeu a investir mais dinheiro nas forças armadas nos próximos anos.

 Em entrevista ao The New York Times, Mark Leonard, diretor do Conselho Europeu de Relações Exteriores, um think tank internacional, disse estar surpreso com a quantidade de altos funcionários em Paris que “falaram espontaneamente sobre a preocupação com os gastos contínuos da Alemanha com a defesa” ao ponto de “compararem a situação a outros desafios de segurança, como a Ucrânia.”

 “Isso é assustador para países como a França e a Polônia, que têm uma forte memória popular dos horrores militares alemães”, afirma Leonard.

Já para Christian Mölling, especialista militar e diretor de uma instituição de pesquisa sediada em Berlim, a European Defense in a New Age, afirmou ao jornal americano que o “impacto dos gastos com defesa da Alemanha é múltiplo, tanto a nível nacional como internacional”. Além disso, segundo ele, a França encarou o aumento nos gastos militares como um fator que “desequilibra a antiga relação que temos sobre a base industrial de defesa na Europa”.

Um alto funcionário francês, que não foi identificado pelo NYT, também expressou profunda preocupação com o aumento das forças armadas alemãs, alegando que isso diminuiria a importância da França e de sua indústria militar, que se financia em parte pela exportação de produtos como o caça Rafale.

Os gastos alemães ainda são vistos como um problema para a Itália e sua indústria, assim como serão para o Reino Unido, segundo Nathalie Tocci, diretora do Instituto de Assuntos Internacionais, um centro de estudos com sede em Roma.

“A solução não é dizer aos alemães para gastarem menos depois de lhes termos dito para gastarem mais durante anos”, disse ela. “A solução é uma dívida europeia comum para a defesa”, disse ao NYT.

Arsenal nuclear na França
A França anunciou na segunda-feira (2) que vai ampliar o arsenal atômico do país como resposta à tensão com o Irã. O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a decisão como histórica e essencial. “Para ser livre, é preciso ser temido. E para ser temido, é preciso ser poderoso”, afirmou.

O país é a única potência nuclear da União Europeia, com 290 ogivas, atrás apenas de China, Estados Unidos e Rússia. Macron informou que oito países europeus já concordaram em participar da nova estratégia e que o arsenal francês será colocado à disposição dos aliados do continente.

Segundo especialistas, o Irã ainda não possui armas nucleares, mas teria enriquecido entre 400 e 600 quilos de urânio a 60%. Para ter capacidade nuclear plena, precisaria enriquecer o material a 90%, algo tecnicamente possível, de acordo com especialistas. Macron também anunciou cooperação com Alemanha e Reino Unido no desenvolvimento de mísseis de longo alcance, alinhada ao conceito de “paz por meio da força”.

 

CLIQUE AQUI e faça parte do nosso grupo para receber as últimas do Noticia Max.

0 Comentários