A violência doméstica não acontece apenas dentro de casa, de forma física. Ela pode se manifestar pelo celular, pelas redes sociais, por aplicativos de mensagens, pelo monitoramento da localização e é claro pelo uso indevido da inteligência artificial (IA).
Com o aumento das separações de casais e o registro pelas autoridades dos grandes índices de feminicídios, é um desafio garantir que a tecnologia seja utilizada para proteger, e não controlar, perseguir, humilhar ou ameaçar pessoas.
Imagine uma pessoa que recebe dezenas de mensagens ameaçadoras dos ex-companheiro (a), onde recebe ameaças que sabe onde ela (e) está, com quem conversa e lugares que frequenta, publicando fotos íntimas sem autorização, criando perfis falsos para difamá-la e ameaçando divulgar montagens produzidas por inteligência artificial (IA).
Já ela, com medo de denunciar porque acredita que não possui provas suficientes, e é claro temendo que o agressor descubra sua tentativa de buscar ajuda.
Todas essas situações demonstram que a violência doméstica ganhou novas formas de manifestação no ambiente digital. A tecnologia não criou o problema da violência de gêneros, mas ampliou as possibilidades de vigilância, intimidação e exposição das vítimas.
Por trás dessas atitudes tem a intervenção humana, e como utilizar a tecnologia para interromper o ciclo da violência, sem aumentar o risco para quem precisa de proteção?
Afinal, publicações ofensivas, perfis falsos, perseguição digital, ameaças e divulgação de informações pessoais podem destruir reputações, afetar a saúde emocional e colocar vítimas em risco físico, e tudo isso é crime.
Algumas dicas que podem amenizar e orientar quem está sofrendo essas situações, entre elas estão: sempre revisar o compartilhamento de localização e os dispositivos conectados às contas, ativar autenticação em dois fatores e trocar senhas por meio de um dispositivo seguro, buscar orientações especializadas antes de remover aplicativos suspeitos, casso isso possa alertar o agressor e aumentar o risco, guardar capturas de telas, links, datas, horários e identificação dos perfis.
Denunciar os conteúdos às plataformas e solicitar sua remoção, restringir a exposição de dados pessoais e informações sobre sua rotina diária nas redes sociais, e acionar a polícia e os serviços de proteção quando houver ameaça de perseguições ou risco concreto. Às vezes bloquear o agressor pode ajudar, mas não substitui a avaliação de segurança nem a preservação de provas.
Widson Ovando é jornalista, bacharel em Ciência e Tecnologia (UFMT), graduado em gestão pública e pós-graduado em Ciências Políticas.
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