Na atual disputa eleitoral, seja para qual cargo for, não se ouviu propostas para o chamado Vale do Rio Cuiabá ou Baixada Cuiabana. Não é somente sobre a cidade de Cuiabá, mas do seu entorno também: Várzea Grande, Acorizal, Livramento, Barão de Melgaço, Santo Antônio de Leverger e até mesmo Poconé. Tem algum trabalho ou proposta em torno disso? O IDH da região, tirando Cuiabá, é baixo, entre os piores do estado.
Até mesmo Várzea Grande, município com cerca de 300 mil habitantes, deu uma parada. Um tempo atras se acreditou que ali seria uma área industrial, dai o nome até hoje de Cidade Industrial. Houve uma mexida nessa direção, como a presença de alguns frigoríficos. Logo se falou em caminhos para a industrialização. Não foi bem assim, mostram os fatos atuais.
Ali ficou como uma cidade dormitório? Pessoas moram ali porque o custo de vida é menor, mas trabalham em Cuiabá? Impressiona como não foi em frente o assunto da indústria em Várzea Grande. Cuiabá abriu seu distrito industrial e a maior parte de empresas foi para ali e não, como se imaginava, para VG.
Outros munícipios da Baixada Cuiabana também não cresceram economicamente. Se falou em determinado momento em crescimento do turismo regional, aproveitar a música, comida, linguajar, história para fazer da área algo nessa direção. Também ficou no meio do caminho. O lago de Manso foi colocado como um local especial para atrair turismo e água dali ajudaria numa suposta irrigação para a produção frutas e verduras
Onde estão os jovens do Vale do Rio Cuiabá? O que faz um jovem em Acorizal ou outra município da área? Como trabalhar ali mesmo? O caminho, outra vez, é o de Cuiabá.
Volta-se a eleição. Não apareceu nada que mostrasse alternativa viável para a região. Seria um momento para que candidaturas nesse ou naquele lado político apresentasse algo de positivo para esta região Enfim: que fazer para dar uma sacudida econômica nessa região e não, como vem ocorrendo sempre, os jovens dali vindo para algum tipo de emprego em Cuiabá.
Por que não desenvolveu na área uma produção hortigranjeira para abastecer a zona urbana? Tem alguma coisa, mas em tamanho pequeno diante do tamanho da população da área. Frutas, verduras, carnes, peixes, a produção daqui poderia suprir a zona urbana.
Chama a atenção também como uma área que concentra um eleitorado até robusto, se comparado com o estado, não cria uma força política maior para fazer algo de diferente para a economia regional. Encabula mais ainda como, numa eleição grandona como a atual, com tantos cargos em disputa, não aparece proposta sobre esse assunto. Não se tem proposta nem mesmo como fantasia eleitoral, ou seja, para tentar ganhar votos da região.
A população da área também não percebe a força que tem para forçar algo melhor como resultado de uma eleição. Termina a disputa eleitoral e fica tudo como era antes. A população do Vale do Rio Cuiabá não se inteirou ainda da força política e eleitoral que possui.
Alfredo da Mota Menezes é analista político.
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