Em tempos de incerteza, o que separa as empresas que apenas sobrevivem daquelas que se perpetuam não é o faturamento ou o setor. É algo muito mais profundo: a existência de uma estrutura capaz de sustentar decisões lúcidas quando o barulho lá fora aumenta. Acredito que a governança é, antes de tudo, um método que protege o que foi construído com tanto esforço.
Sabemos que ciclos de mudança, sejam eles eleitorais ou de mercado, trazem consigo uma névoa de cautela. Nesses momentos, a margem para o improviso diminui drasticamente. Não se trata de paralisar os planos, mas de reconhecer que cada escolha agora carrega o peso do amanhã. Para as famílias empresárias, isso ganha uma camada extra de sensibilidade, já que uma decisão mal tomada não afeta apenas o caixa, ela ecoa na harmonia da mesa de jantar.
Na prática, a ausência de um olhar estruturado se traduz em sintomas comuns, tais como investimentos adiados sem um porquê claro, o peso da decisão solitária nos ombros de um único fundador ou reações impulsivas ao noticiário do dia. Sem instâncias de diálogo, o que nasce como desejo de proteger o negócio acaba gerando insegurança, desgaste e retrabalho.
É aqui que a governança se revela como algo muito maior do que um conjunto de regras frias. Ela é uma estrutura de racionalidade e afeto. Conselhos atuantes e papéis bem definidos funcionam como filtros que separam a estratégia da urgência, e a análise técnica das opiniões passionais.
Um ponto que raramente recebe a devida atenção é a reputação. Em contextos sensíveis, a coerência entre o que a empresa diz e o que ela faz fica sob os holofotes. Organizações que investiram em processos sólidos não precisam agir na defensiva, elas têm método e segurança para caminhar com firmeza, mesmo em terreno instável.
Muitas vezes, ouvimos que a governança é “coisa de gigante”. Pelo contrário, são as empresas familiares e os negócios em crescimento que mais precisam dessa bússola. É neles que as relações são mais intensas e onde a proteção do legado exige uma engenharia que integre a administração à psicologia.
Diferente do que o senso comum dita, governança não é sobre burocracia, é sobre liberdade. Quando há regras claras e transparência, a empresa ganha agilidade para inovar sem perder o controle. A ausência de governança é que aprisiona o líder na urgência e no conflito.
Investir nessa estrutura de proteção é uma decisão de amor pelo futuro. Em tempos de volatilidade, a governança é o compromisso de decidir melhor, com responsabilidade socioeconômica e, acima de tudo, com o olhar atento à continuidade do que é verdadeiramente importante. Governança não engessa, ela dá asas!
Cristhiane Brandão, Conselheira de Administração, Consultora em Governança para Empresas Familiares, Mentora de Negócios Familiares e Vice-Coordenadora Geral do Núcleo Centro-Oeste do IBGC.
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