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13 de Junho de 2024

OPINIÃO Domingo, 04 de Julho de 2021, 07:54 - A | A

Domingo, 04 de Julho de 2021, 07h:54 - A | A

EDUARDO PÓVOAS

Meu pai Lenine de 100

Eduardo Póvoas

Hoje 4 de julho de 2021, se vivo você estivesse, estaríamos juntos almoçando o pastelzinho da D. Maria, a Lasanha da Brasilina e tomando o guaraná Predileto de Filinto Ribeiro, para comemorar o seu centenário.

Vinte e nove de Janeiro, de 2003, dezoito anos de sua partida dia fatídico na minha vida, impedindo que eu não pronunciasse mais a palavra PAI.

Mas não desaprendi, pois sempre soube a importância dela, apesar do desuso que me foi imposto.

Dezoito anos sem almoçarmos juntos, dezoito anos sem ouvir seus preciosos conselhos, dezoito anos sem sentir o cheiro do gel que você utilizava no seu cabelo e de conversarmos sobre a cidade que você me ensinou a amar.

Com dezoito anos de atraso, comecei a ter coragem de bisbilhotar suas coisas que estão comigo. Começo e digo: agora vou até o fim! Ledo engano!

Começo a ver seus apontamentos, os recortes de jornais que mamãe os guardava e aí vem uma saudade imensa me impedindo de continuar.

Vejo neles, pai, como você foi um verdadeiro pai que apesar da atenção e do amor que sempre te dediquei, jamais tive a noção da sua humildade, do seu talento intelectual e da sua verdadeira missão de pai.

Vejo nas suas coisas que os cargos que você ocupou nunca subiram à sua cabeça, muito pelo contrário, ia trabalhar sempre dirigindo seu fusca, diferentemente de alguns cretinos modernos, que até de “batedor” dizem precisar.

Sinto muito sua falta, esta jamais será preenchida, e nossos momentos de conversa nunca serão trocados por nenhum filme, nenhum jornal, nenhum documentário ou nenhuma coisa que se proponha a preenche-lo.

Gostaria de ser dono de um jornal ou de uma televisão, para todo dia falar sobre você. Sobre sua cultura, seu modo de contagiar as pessoas quando contava casos e passagens de sua infância no bairro do Porto, das suas observações sobre a a influência que as populações do Rio da Prata causava no nosso povo e de seus amigos.

Tento até hoje driblar a saudade que toma conta do meu coração. Finjo em muitas vezes que não a sinto sem deixa-la perceber que ela me incomoda.

Por isso tudo, imaginar a violência que as televisões nos mostram todos dias de filhos para pai e vice versa, é impossível calcular que nestes corações algum dia floresceu o amor.

Foste meu maior ídolo abaixo de Jesus. Foste o pai que bilhões de filhos gostariam de ter. Foste o homem de mansas palavras em todas situações da vida. Foste o conciliador, o pregador da concórdia, o pregador do amor, e principalmente o pai da atenção aos filhos 24 horas por dia.

Obrigado Jesus Cristo por ter um pai chamado Lenine de Campos Póvoas.

Não sei se você sabe, mas todos os dias balbuciando, pronuncio seu nome na ânsia de vê-lo ou ouvi-lo.

Não sei se isso algum dia acontecerá, só sei que o meu amor por você, ah, esse sim, é infindável….

Eduardo Póvoas é filho de Lenine Póvoas.

 

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