O agronegócio brasileiro inicia outubro em um cenário de atenção às eleições, às condições climáticas e à volatilidade das commodities. Segundo Antonio Prado G. B. Neto, consultor de agronegócio, o segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro (47,03%) e Lula (45,16%), previsto para 25 de outubro, coloca no radar do setor temas como política fiscal, câmbio, crédito e segurança jurídica.
Na soja, Chicago registrou queda com o avanço da colheita americana e a menor presença chinesa. No Brasil, dólar e prêmios sustentaram os preços, com a saca próxima de R$ 160 em Paranaguá. O consultor destaca a importância de conhecer os custos, proteger margens e escalonar as vendas.
No milho, os futuros recuaram quase 6%, pressionados pelos estoques americanos 35% superiores aos do ano anterior. O indicador Cepea está próximo de R$ 68,60 por saca. Já o algodão caiu até 4,76% em Nova York, embora acumule valorização de aproximadamente 22% em 12 meses.
No café, estoques restritos e incertezas sobre a próxima safra mantêm a volatilidade. O arábica está próximo de R$ 1.575 por saca e o conilon, de R$ 985. No setor sucroenergético, o açúcar bruto alcançou o maior valor em 18 meses, sustentado por riscos climáticos e expectativas de déficit global.
O dólar encerrou 2 de outubro em R$ 5,2158, enquanto o petróleo Brent atingiu US$ 102,72 por barril, elevando a preocupação com diesel e fretes.
No campo, as chuvas favorecem o plantio no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. O MATOPIBA permanece mais seco, enquanto a região Niño 3.4 registra elevação de 0,4°C. Conforme Prado, o Centro-Oeste apresenta, até agora, condições de plantio entre as melhores do histórico. Diante desse cenário, a orientação é preservar o caixa, proteger margens e evitar decisões comerciais concentradas em um único momento.
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