Os conflitos no Oriente Médio passaram a representar um novo fator de risco para parte das exportações brasileiras de gado vivo. Segundo análise da Agrifatto, a principal preocupação do mercado não é exatamente a interrupção do comércio, mas os impactos indiretos da instabilidade geopolítica sobre logística, custos e prazos de transporte.
Em 2025, o Brasil embarcou 318,87 mil cabeças de bovinos para países do Oriente Médio. Esse volume correspondeu a 30,27% do total exportado nesse segmento. Assim, fica clara a relevância da região como um dos destinos estratégicos para o setor pecuário brasileiro.
Entre os estados exportadores, o Pará aparece como o mais exposto a esse fluxo comercial. Conforme dados compilados pela Agrifatto, somente no ano passado, o estado enviou 112,70 mil toneladas de gado vivo para países do Oriente Médio, o equivalente a 48,38% do total exportado. O Rio Grande do Sul aparece como o segundo maior fornecedor, com 3,24 mil toneladas, representando 3,87% da participação nas vendas destinadas à região.
Além disso, foram registradas 16,56 mil toneladas classificadas como não declaradas em termos de origem estadual. Desse volume, 46,62% tiveram como destino países localizados na região considerada de risco, segundo a consultoria.
Impactos indiretos
Ainda de acordo com a Agrifatto, a escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel tende a gerar impactos mais indiretos do que uma paralisação do comércio. “O maior risco não é a interrupção dos embarques de proteína animal, mas a possível alta dos custos logísticos e o alongamento dos prazos de transporte, que implicam maior despesa operacional”, destacou em relatório.
Rotas marítimas mais longas, seguros mais caros e eventuais restrições em corredores de navegação são alguns dos fatores que podem pressionar os custos das operações de exportação. Além disso, a incerteza geopolítica já provocou reflexos no mercado financeiro e na indústria frigorífica. Segundo a Agrifatto, os contratos futuros do boi gordo negociados na B3 registraram forte queda no início da semana, refletindo o aumento da percepção de risco no comércio internacional.
Ao mesmo tempo, parte dos frigoríficos reduziu temporariamente o ritmo de compras de gado, aguardando maior previsibilidade tanto no cenário externo quanto no comportamento do câmbio. “Essa incerteza provocou forte queda dos contratos futuros na B3 no início desta semana e levou parte dos frigoríficos a reduzir temporariamente as compras, à espera de maior previsibilidade no mercado externo e no câmbio”, destaca a consultoria.
Apesar do cenário de cautela, o mercado físico do boi gordo continua firme no país. “O suporte aos preços persiste apesar das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel”, salienta.
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