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AGRONEGÓCIO Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025, 14:15 - A | A

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025, 14h:15 - A | A

EXPANSÃO

Trigo avança no Brasil Central e mostra potencial para reduzir importações

Adaptação ao clima do Brasil Central pode transformar o trigo em cultura estratégica

Agrolink

A 17ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale, realizada em 2025, destacou o avanço da cultura para além do Sul do país. Com pesquisas iniciadas em 1969, o setor busca reduzir a dependência externa, já que o Brasil ainda importa volumes  expressivos de trigo da Argentina e dos Estados Unidos.

Expansão para novas regiões

Tradicionalmente concentrado no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o trigo agora ganha espaço no Cerrado e até no Norte. Em Cristalina (GO), um agricultor alcançou em 2021 produtividade recorde de 9.630 kg/ha em área irrigada de 101 hectares com a variedade BRS 364, resultado muito acima da média nacional.

Segundo pesquisadores da Embrapa Trigo, experiências como essa confirmam o potencial da cultura no Centro-Oeste. Atualmente, a variedade BRS 264 está em fase de avaliação em lavouras irrigadas de grande escala, com colheita prevista para setembro. O objetivo é multiplicar sementes adaptadas às condições do Cerrado.

“Estamos diante de uma nova fronteira agrícola para o cereal. A adaptação ao clima do Brasil Central pode transformar o trigo em uma cultura estratégica também nessas regiões”, afirmou o pesquisador Gilberto Cunga, que coordena parte dos trabalhos.

Desafios técnicos e novas aplicações

Apesar dos avanços, o cultivo enfrenta desafios, como o acamamento (queda das plantas devido ao crescimento excessivo), que pode ser mitigado pelo uso de redutores de crescimento. A Comissão também desenvolve soluções específicas para cinco regiões do país, levando em conta acidez do solo, precipitação e sistemas de irrigação.

Outra frente de inovação está no aproveitamento do trigo como matéria-prima para a produção de etanol. Duas plantas industriais no Sul já iniciaram testes, ampliando as possibilidades de mercado além da panificação.

“O trigo brasileiro precisa ser visto não só como alimento, mas também como insumo energético e até para alimentação animal. Essa diversificação pode aumentar a rentabilidade e atrair novos investimentos”, avaliou Cunga.

Impactos para o setor

A busca por autossuficiência no trigo tem relevância estratégica para o agronegócio e a segurança alimentar. Se os resultados no Cerrado se consolidarem, o Brasil pode reduzir a dependência de importações e abrir novas oportunidades de mercado interno e externo.

A expectativa é que, nos próximos anos, a combinação de tecnologia, irrigação e novas cultivares permita ampliar a área plantada no Centro-Oeste, transformando o trigo em mais uma opção viável de rotação de culturas em regiões dominadas pela soja e pelo milho.

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