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BRASIL Terça-feira, 10 de Março de 2026, 14:34 - A | A

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Ex-presidente preso

Bolsonaro pede autorização ao STF para receber assessor de Trump na prisão

Darren Beattie foi nomeado em fevereiro como assessor dos EUA para políticas relacionadas ao Brasil. Norte-americano já chamou Moraes de 'arquiteto da perseguição a Bolsonaro'

GloboNews

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para receber, na prisão, a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil.

Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. As visitas ao ex-presidente precisam receber o aval de Moraes, relator do processo que levou Bolsonaro à cadeia.

Crítico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da atuação de Moraes no processo sobre a trama golpista, Darren Beattie é responsável, no Departamento de Estado dos Estados Unidos, por propor e supervisionar as políticas e ações de Washington em relação a Brasília. Ele foi nomeado para o cargo no mês passado.

Político de extrema-direita, o assessor de Trump já classificou Moraes como "principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro".

No site do Departamento de Estado dos EUA, Beattie é descrito como "um defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática".

No requerimento feito a Moraes, a defesa de Bolsonaro pede que, de maneira excepcional, a visita do norte-americano seja autorizada no dia 16 de março, uma segunda-feira, ou no dia 17, uma terça-feira. As visitas ao ex-presidente, geralmente, são agendadas para quartas e sábados.

Darren Beattie estará no Brasil na próxima semana. Na quarta-feira (18), ele deve participar, segundo fontes ligadas ao governo Trump, de um evento sobre minerais críticos em São Paulo.

A agenda do assessor da gestão Trump no Brasil ocorre em meio a discussões, nos EUA, sobre classificar facções criminosas brasileiras, caso do PCC e do Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras.

O governo brasileiro tenta evitar essa classificação por receio de que isso possa levar a uma intervenção estrangeira no país.

Polêmicas
Beattie provocou um incidente diplomático com o Brasil ao criticar, em uma publicação no X em meados de 2025, a atuação de Moraes no processo contra Bolsonaro e aliados.

Á época, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para explicar os comentários.

Moraes relatou o processo criminal contra Bolsonaro, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump. Bolsonaro acabou condenado por decisão da Primeira Turma do STF.

Os EUA chegaram a sancionar Moraes, acusando-o de autorizar detenções preventivas arbitrárias e de suprimir a liberdade de expressão ao conduzir casos relacionados à suposta trama golpista de 2022.

Após o anúncio das sanções contra Moraes, Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente e destacado político de direita no Brasil, agradeceu a Beattie por seus esforços em uma publicação no X.

Acusações de racismo e sexismo
Beattie atuou no 1º mandato de Donald Trump, ele atuava como redator de discursos da Casa Branca. Porém, em 2018, ele foi demitido por ter discursado em um evento frequentado por nacionalistas brancos.

Durante a campanha presidencial de 2024, Beattie sugeriu que a comunidade de inteligência dos EUA poderia estar por trás de tentativas de assassinar Trump.

Beattie também foi acusado de racismo e sexismo por afirmar nas redes sociais que “homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem”.

 

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