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BRASIL Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2026, 09:22 - A | A

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Mortes violentas

Brasil tem 34 mil assassinatos e registra queda pelo 5º ano seguido

Dados indicam 34.086 mortes violentas em 2025 e uma redução de 11% em relação ao ano anterior

G1

O Brasil registrou queda nos assassinatos pelo quinto ano seguido: foram 34.086 casos de mortes violentas em 2025, contra 38.374 em 2024.

Segundo os números computados até terça-feira (20) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve uma queda de 11%.

O número de 34.086 não inclui ainda os dados referentes ao mês de dezembro nos estados de São Paulo e Paraíba. Esses números não haviam entrado no sistema do governo federal até a publicação da reportagem, e não há prazo definido para isso.

Entre janeiro e novembro, SP registrou em média 228 mortes violentas por mês. Na Paraíba, a média foi de 79 casos por mês. Se a média se mantiver em dezembro, seriam cerca de 300 casos a mais no balanço nacional. Ainda assim, haveria uma queda anual de 10,4%.

Entram na conta como mortes violentas os casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte. Os dados são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal, responsável pela divulgação.

Redução de assassinatos é tendência

Já são cinco anos consecutivos de redução nas mortes violentas, de 2021 a 2025, e uma queda acumulada de 25% desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.

O recorde registrado na série histórica é de 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Depois desse pico, os números caíram em 2018 e 2019, e voltaram a subir em 2020. Desde então, só houve quedas.

Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que houve mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, sem tantas guerras por territórios.

"Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente. Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicar", afirma.

Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), segue a linha de que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles em determinados territórios, contribui para que haja menos assassinatos.

"Como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados", diz.

Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que a tendência de queda vem desde antes da pandemia, com a exceção de 2020. Naquele ano, o aumento de assassinatos foi puxado pela região Nordeste.

 "É uma tendência de queda que foi inaugurada em 2018 e, de lá para cá, só em um ano tivemos alta. É bom manter e sustentar a queda", afirma.

Variações por regiões
A queda nacional nos homicídios também ocorreu nas cinco regiões do país.

Sul: - 22% (passou de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025);
Centro Oeste: - 18% (de 2.682 para 2.204);
Norte: - 11% (de 4.304 para 3.829);
Nordeste: - 10% (de 17.052 para 15.412);
Sudeste: - 8% (de 10.401 para 9.586).

Considerando os estados, as maiores reduções foram em Mato Grosso do Sul (- 28%), Paraná e Rio Grande do Sul (- 24% em ambos os casos).

Por outro lado, Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%) e Roraima (9%) registraram alta.

Bahia (3.900), Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023) lideram quando se considera o número absoluto de mortes violentas. Acre (204), Acre (179) e Roraima (139) tiveram os números mais baixos.

Taxa de assassinatos por 100 mil habitantes
Ceará (32,6), Pernambuco (31,6) e Alagoas (29,4) encabeçam o ranking das maiores taxas de mortes violentas a cada grupo de 100 mil habitantes.

A média nacional é de 15,97. Em 2024, essa taxa foi de 18,05 assassinatos por 100 mil habitantes.

Recorde nos feminicídios em 2025
Já o número de feminicídios bateu recorde em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme os dados do ministério. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.

Foram ao menos quatro mulheres mortas por dia no ano passado.

Os números devem crescer mais, com os dados de dezembro de São Paulo e Paraíba, que ainda não foram atualizados na base do governo federal.

 A tipificação de feminicídio foi criada em 2015. O crime ocorre quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher.

Naquele ano, ocorreram 535 mortes de mulheres nessa circunstância. Os dados apontam um crescimento de 316% em 10 anos.

Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei que aumentou as penas para quem comete feminicídios, que podem variar de 20 a 40 anos de prisão.

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