O Brasil registrou queda nos assassinatos pelo quinto ano seguido: foram 34.086 casos em 2025, contra 38.374 em 2024. Segundo os números computados até terça-feira (20) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve uma redução de 11%.
A grande maioria dos estados teve menos mortes violentas no ano passado, seguindo o padrão nacional. No Amazonas, essa queda foi de 33%. Por outro lado, em cinco estados e no DF, houve aumento.
O que explica essa diferença de cenários, segundo especialistas ouvidos pelo g1, é a dinâmica local do crime organizado. Nos momentos de maior conflito entre facções, as mortes tendem a subir. No Tocantins, os assassinatos aumentaram 17%.
Variações em um ano no número de mortos
A queda nacional nas mortes violentas ocorreu em 21 das 27 unidades federativas, com destaque para o Amazonas, com redução de 33%. Em seguida aparecem o Mato Grosso do Sul (-28%), Paraná e Rio Grande do Sul (ambos com recuo de 24%).
O pesquisador Aiala Couto, da Universidade do Estado do Pará e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que há um controle do crime por parte do Comando Vermelho no Amazonas.
"Se for pegar um mapa das facções no Amazonas, o Comando Vermelho praticamente eliminou as facções rivais, no caso a Família do Norte. Você tem uma diminuição [das mortes]. Os homicídios caem nesse momento em que o CV se torna hegemônico", afirma o especialista.
Cinco estados e o DF vão contra a tendência nacional de queda nos homicídios e registraram alta de 2024 para 2025: Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%), Roraima (9%), Acre (6%), Distrito Federal (5%) e Rio de Janeiro (2%).
Tanto TO quanto RN enfrentam guerras de facções, segundo especialistas ouvidos pelo g1.
Aiala Couto afirma que, no Tocantins, a alta ocorre pelo conflito entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção dominante em São Paulo.
"O PCC estava no estado, o Comando Vermelho chegou e isso estimulou o conflito e tem tornado o estado bastante violento. O Tocantins está no centro da conexão do transporte de drogas", afirma o pesquisador, ao citar a rota de entorpecentes da Amazônia até os portos com destino à Europa.
Segundo a antropóloga Juliana Melo, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a alta no estado ocorre após o CV romper parceria com uma facção local.
"No estado, acontece um movimento de disputa por facções: o Comando Vermelho, que antes era aliado a uma facção local chamada Sindicado do Crime (SDC), que é rival do PCC, agora virou inimigo desse grupo. As duas estão em disputa. E existem ações de novo cangaço, que tem entrado nessa disputa com o CV e o SDC, e isso tem aumentado bastante as mortes nas periferias, em especial", afirma.
O nome novo cangaço é uma referência a grupos criminosos fortemente armados que atacam cidades para roubar grandes quantidades de dinheiro. Geralmente, são ações coordenadas que envolvem o bloqueio de ruas e uso de armas de grosso calibre, incluindo explosivos.
As maiores e as menores taxas de mortes violentas
O Brasil teve em 2025 uma taxa nacional de 16 mortes por 100 mil habitantes. Em 2025, eram 18 mortes. Ceará (32,6), Pernambuco (31,6) e Alagoas (29,4) encabeçam o ranking das maiores taxas. Enquanto São Paulo (5,4), Santa Catarina (6,4) e Distrito Federal (8,8) registraram as menores.
Mortes violentas por regiões
Considerando a divisão do país em regiões, houve queda em todas as cinco.
Sul: - 22% (passou de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025);
Centro Oeste: - 18% (de 2.682 para 2.204);
Norte: - 11% (de 4.304 para 3.829);
Nordeste: - 10% (de 17.052 para 15.412);
Sudeste: - 8% (de 10.401 para 9.586).
Redução de assassinatos é tendência
Já são cinco anos consecutivos de redução nas mortes violentas, de 2021 a 2025, e uma queda acumulada de 25% desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.
O recorde registrado na série histórica é de 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Depois desse pico, os números caíram em 2018 e 2019, e voltaram a subir em 2020. Desde então, só houve quedas.
Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que houve mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, sem tantas guerras por territórios
"Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente. Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicar", afirma.
Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), segue a linha de que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles em determinados territórios, contribui para que haja menos assassinatos.
"Como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados", diz.
Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que a tendência de queda vem desde antes da pandemia, com a exceção de 2020. Naquele ano, o aumento de assassinatos foi puxado pela região Nordeste.
"É uma tendência de queda que foi inaugurada em 2018 e, de lá para cá, só em um ano tivemos alta. É bom manter e sustentar a queda", afirma.
Recorde nos feminicídios em 2025
Já o número de feminicídios bateu recorde em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme os dados do ministério. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.
Foram ao menos quatro mulheres mortas por dia no ano passado.
A tipificação de feminicídio foi criada em 2015. O crime ocorre quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher.
Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei que aumentou as penas para quem comete feminicídios, que podem variar de 20 a 40 anos de prisão.
CLIQUE AQUI e faça parte do nosso grupo para receber as últimas do Noticia Max.



0 Comentários