Desde a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, seis instituições sofreram intervenções diretas do Banco Central. A última foi o Will Bank, que tem 12 milhões de clientes, nessa quarta-feira (21).
Apesar do susto da liquidação, a maioria dos investidores das instituições serão ressarcidos por meio do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). O problema é que ele só protege até R$ 250 mil, ou seja, quem tem mais do que isso aplicado em fundos do banco terá que esperar para ver se a instituição terá recursos para devolver o dinheiro.
Ao escolher onde investir, o primeiro passo é verificar se a aplicação conta com a proteção do FGC, que garante o dinheiro em caso de falência da instituição. Produtos como CDB, LCI, LCA e depósitos em conta-corrente e poupança são cobertos por ele.
A consulta se a instituição faz parte do fundo pode ser feita no site do FGC. O fundo é formado com recursos de todos os bancos e foi criado com a crise bancária após a implementação do Plano Real, em 1994. A liquidação do Master será a maior operação de resgate do fundo, com um valor de cerca de R$ 47 bilhões — o reembolso aos investidores do Will Bank faz parte desse montante, visto que a fintech integra o grupo do Banco Master.
O que mais o investidor pode fazer para se proteger
O presidente da Abradeb (Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias), Raimundo Nonato, explica que além do FGC, há outros mecanismos para escolher uma instituição segura, como o índice de Basileia, rating de crédito e lucros recorrentes (saiba mais abaixo).
“O caso do Banco Master e, por consequência, do Will Bank, serve como um alerta fundamental para todos os investidores. A escolha de uma instituição financeira não deve ser baseada apenas na rentabilidade oferecida. É crucial realizar uma análise criteriosa da saúde e da solidez do banco”, destaca.
Além disso, é importante desconfiar quando instituições oferecem taxas muito atrativas. O Banco Master, por exemplo, chegou a ofertar CDBs com 140% e 185% do CDI.
“Bancos com dificuldades financeiras podem oferecer taxas de retorno extraordinariamente altas para atrair capital de forma rápida. Se uma oferta parece boa demais para ser verdade, ela provavelmente embute um risco maior”, alerta o especialista.
Veja os principais pontos de atenção
- Índice de Basileia: indicador que mede a relação entre o capital próprio do banco e o capital de terceiros que está exposto a risco. “No Brasil, o Banco Central exige um mínimo de 10,5%, mas um índice confortável e seguro estaria acima de 15%. Quanto maior, mais capital o banco tem para absorver perdas inesperadas”, explica Raimundo Nonato. O índice pode ser consultado em sites como o Banco Data;
- Rating de Crédito: agências de classificação de risco como S&P, Moody’s e Fitch avaliam a capacidade de um banco de honrar suas dívidas. Um rating elevado (como AAA ou AA) indica um risco de crédito muito baixo. Rebaixamentos sucessivos no rating de uma instituição são um sinal de alerta. A consulta pode ser feita nos sites das próprias agências;
- Lucros Recorrentes: analisar os balanços do banco para verificar se ele apresenta lucros consistentes ao longo do tempo é um bom indicativo de uma operação saudável e sustentável.
Riscos são inevitáveis
Tomar precauções é importante na hora de fazer um investimento, mas não tem como fugir de todos os riscos.
Raimundo Nonato destaca que é importante estar ciente de três riscos principais: crédito, mercado e liquidez.
O primeiro caso ocorre quando a instituição não tem recursos para pagar seus credores, o que aconteceu com o Banco Master.
O segundo caso é quando há oscilações nos preços dos ativos por questões econômicas. E o último, é a dificuldade de converter o investimento em dinheiro rapidamente sem perdas significativas.
Para quem não quer arriscar, existem investimentos mais conservadores, como recomenda o presidente da Abradeb:
- Títulos do Tesouro Direto (Tesouro Selic, por exemplo): são considerados os ativos de menor risco do país, pois são 100% garantidos pelo governo federal. O risco de crédito é praticamente nulo, pois o governo é o emissor da moeda;
- CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos (bancos de primeira linha): instituições com décadas de história, alta lucratividade e elevados Índices de Basileia oferecem grande segurança. Além disso, esses produtos contam com a garantia do FGC;
- Poupança: embora sua rentabilidade seja geralmente menor, a caderneta de poupança é muito segura, sendo também garantida pelo FGC e oferecida por instituições financeiras sólidas.
Sou cliente do Will Bank, o que fazer?
Para quem tinha até R$ 250 mil investidos no banco, o FGC vai ressarcir os valores. O fundo informou que já acionou a garantia, estimando que o valor a ser pago aos clientes será de cerca de R$ 6,3 bilhões, com base em dados de novembro do ano passado.
“Os pagamentos serão realizados em conformidade com o Regulamento do FGC, com base nos dados e valores que serão determinados pelo Liquidante, nomeado pelo Banco Central do Brasil, com apoio do FGC. A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados após a referida consolidação das informações”, disse o FGC.
Os valores que passam de R$ 250 mil vão entrar em uma lista para receber dos ativos restantes do banco.
“Para os clientes do Will Bank, a primeira recomendação é manter a calma e buscar informações nos canais oficiais. As operações do banco, como saques, pagamentos e transferências, estão suspensas. A partir de agora, um liquidante nomeado pelo Banco Central assume a administração da massa falida”, explica Raimundo Nonato.
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