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Diagnóstico muda rotina e reforça alerta para sinais pouco conhecidos da hanseníase

A rotina, antes simples e cheia de pequenas tarefas domésticas, passou a ser marcada por estresse, irritação e longos períodos tentando se recuperar das crises

Da Redação

Durante grande parte da vida adulta, Dulce — nome fictício, 54 anos — conviveu com um sofrimento silencioso. Dona de casa, passava dias com dores intensas pelo corpo, rigidez nas articulações, mal-estar constante e episódios de prostração que a deixavam acamada. A rotina, antes simples e cheia de pequenas tarefas domésticas, passou a ser marcada por estresse, irritação e longos períodos tentando se recuperar das crises.

“Eu achava que era fibromialgia. Nenhum remédio fazia efeito. Eu sentia dores nos músculos, nos nervos, nas articulações, mas nunca passou pela minha cabeça que pudesse ser hanseníase”, lembra.

A vida de Dulce começou a mudar após uma consulta em uma Unidade de Saúde da Família de Várzea Grande. Ao ouvir atentamente o histórico da paciente, o médico realizou testes clínicos e levantou a suspeita de hanseníase — um diagnóstico que, para ela, parecia improvável.

Os exames confirmaram a suspeita. “Quando recebi o resultado, eu fiquei em choque. Sempre ouvi falar de hanseníase como feridas na pele. Eu não sabia que ela podia causar tudo isso que eu sentia”, relata a paciente, que hoje realiza acompanhamento regular na rede municipal de saúde.

Com o início do tratamento, Dulce afirma que já percebeu melhora significativa e voltou a realizar atividades que antes estavam impossibilitadas pelas dores constantes.

Segundo o médico Cleverton Moreira, a hanseníase é uma doença que afeta principalmente o sistema nervoso, podendo comprometer nervos, músculos e articulações. Os sintomas incluem dores, dormência, formigamento, fraqueza muscular e rigidez corporal.

“As lesões na pele, que muitas pessoas associam à hanseníase, geralmente aparecem em estágios mais avançados. Antes disso, os sinais podem ser neurológicos e musculares, o que faz com que muitos casos sejam confundidos com outras doenças”, explica o profissional.

A hanseníase pode acometer pessoas de diferentes idades — desde adolescentes a partir dos 15 anos até adultos, homens e mulheres. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de contato próximo e prolongado com pessoas não tratadas, e não pelo toque, como ainda se acredita.

Após a confirmação do diagnóstico, também é realizado o rastreamento dos familiares e pessoas próximas, para descartar contágio e garantir diagnóstico precoce, quando necessário.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as Unidades de Saúde da Família contam durante todo o ano — e de forma intensificada neste mês de janeiro — com equipes capacitadas para avaliação clínica, testes, diagnóstico e tratamento.

O tratamento da hanseníase é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dura em média um ano e exige acompanhamento mensal para garantir a cura.

Além do aspecto clínico, os profissionais reforçam que o preconceito ainda é um dos maiores obstáculos. “O medo e a desinformação atrasam o diagnóstico. A hanseníase tem cura, e quanto mais cedo for identificada, menores são as chances de sequelas”, alerta o médico.

A orientação é que pessoas com sintomas persistentes, como dores sem causa aparente, dormência, formigamento, manchas com alteração de sensibilidade ou fraqueza muscular, procurem a unidade de saúde mais próxima para avaliação.

“Se eu tivesse descoberto antes, talvez não tivesse sofrido tanto. Hoje eu faço tratamento, estou melhorando e quero que outras pessoas saibam que hanseníase tem cura”, finaliza Dulce.

 

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