Atividades realizadas no contraturno escolar vêm contribuindo para o desenvolvimento de estudantes da rede municipal de Cuiabá. Em 2026, 22 unidades educacionais participam do Programa Educação Integral em Tempo Integral, com iniciativas adaptadas à realidade de cada escola, incluindo cultura, arte, teatro, música, capoeira, artes marciais, horta e acompanhamento pedagógico.
Na Emeb Nossa Senhora Aparecida, localizada no bairro Novo Colorado, o Jiu-Jitsu integra a programação e reúne 52 crianças. Além da prática esportiva, as aulas são utilizadas como instrumento para trabalhar disciplina, respeito, responsabilidade, convivência e expressão.
O professor de artes marciais Álvaro Marinho, que participa voluntariamente do projeto, afirma que a modalidade pode auxiliar os alunos em diferentes aspectos da rotina. Segundo ele, a atividade contribui para a construção de vínculos, fortalece amizades e favorece a comunicação.
“É uma ferramenta que ensina princípios e valores às crianças, ajudando-as a lidar melhor com o dia a dia, com a escola e com a família”, relatou. Para o professor, as mudanças também são percebidas na interação dos alunos, inclusive entre aqueles que anteriormente apresentavam dificuldades para se comunicar.
Esporte como ferramenta de convivência
A diretora da unidade, Maristela Ribeiro Neto Conde, destaca o papel das atividades no cotidiano dos estudantes. Para ela, a programação oferece um ambiente de acolhimento e contribui para manter as crianças envolvidas em atividades durante o período em que não estão em sala de aula.
“Nas aulas de Jiu-Jitsu e Artes, elas desenvolvem criatividade, amizade, relacionamento e comportamento. Muitas apresentam dificuldades de convivência e até de aprendizagem. Com a participação no projeto, começam a desenvolver essas habilidades e também apresentam avanços nos estudos”, explicou.
De acordo com a diretora, a escola também estabelece uma relação entre a participação nas atividades e o desempenho dos estudantes. Para integrar os projetos, os alunos precisam manter um bom rendimento em sala, uma medida que, segundo ela, estimula o compromisso com os estudos.
Entre os participantes está Miguel Henrique Fantin, de 11 anos, que encontrou no Jiu-Jitsu uma atividade capaz de transformar sua relação com colegas e familiares.
O estudante conta que passou a perceber mudanças no próprio comportamento após ingressar no projeto. “Eu melhorei muito na minha forma de agir e de me relacionar com as pessoas. Era bagunceiro, hoje me considero mais colaborativo e responsável e levo esses ensinamentos, aprendidos com o professor, para casa”, afirmou.
Competições e conquistas
Além das aulas na escola, Miguel participa de competições de Jiu-Jitsu. Entre as experiências, estão disputas que exigiram controle emocional diante do nervosismo e da pressão antes das lutas.
O estudante já conquistou terceiro lugar em campeonato brasileiro, segundo lugar no Estadual e o Cinturão do Sul-Americano, além de outras premiações.
Ao recordar uma das conquistas, Miguel destaca a emoção de receber a medalha e lembrar da trajetória percorrida até o resultado.
“Ao receber a medalha, foi uma grande emoção porque relembrei de tudo o que passei e aprendi. Mas trouxe alegria e orgulho também para minha família e me fez acreditar que posso desenvolver novas habilidades e ir mais longe no nosso esporte”, contou.
Outra participante, Ester Valentina de França Conceição, de 10 anos, afirma que o projeto também trouxe reflexos para sua rotina. Segundo ela, as atividades ajudaram a desenvolver respeito, organização, solidariedade e convivência.
“Aprendi a respeitar mais as outras pessoas e consegui aplicar esse aprendizado no dia a dia, inclusive na organização da minha rotina. Também contribuiu para que eu crescesse no aprendizado e na dedicação”, relatou.
Artes complementam atividades
Além do Jiu-Jitsu, a Emeb Nossa Senhora Aparecida oferece aulas de Artes aos participantes. Os estudantes se alternam entre as duas atividades: enquanto parte da turma participa do treinamento esportivo, os demais desenvolvem propostas artísticas.
A professora de Artes e monitora Samara Balduíno explica que as atividades vão além da pintura. Os alunos trabalham técnicas, observação e diferentes formas de expressão.
Em uma das propostas, estudantes aprenderam a representar uma maçã por meio de recursos como luz, sombra e silhueta. Outra atividade teve como referência trabalhos do artista Romero Britto. Depois das tarefas orientadas, os alunos também têm espaço para produzir desenhos livres.
Segundo Samara, embora a turma possa receber uma mesma proposta, cada criança desenvolve uma maneira própria de executá-la.
“Cada criança desenvolve seu próprio estilo e técnica, mesmo trabalhando a partir de uma mesma proposta. Essa diversidade é justamente uma das características mais interessantes e bonitas do trabalho, pois permite observar como cada aluno interpreta e realiza o desenho de maneira diferente”, avaliou.
Educação em tempo integral
O Programa de Educação Integral em Tempo Integral é uma iniciativa do Governo Federal. O município de Cuiabá aderiu ao programa em 2023 e renovou a participação em 2025 e 2026.
Nas unidades participantes, as ações são organizadas de acordo com as características e necessidades de cada comunidade escolar, ampliando as oportunidades de aprendizagem para além do período regular de aulas.
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