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CIDADES Segunda-feira, 08 de Julho de 2024, 07:39 - A | A

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Crise hídrica

Pantanal e Cerrado em MT devem registrar seca histórica em 2024, aponta estudo

Estudo revela que o Pantanal não teve período de cheia este ano, o que indica que a estiagem tende a ser a mais grave dos últimos 5 anos

Da Redação

O Pantanal deve viver a pior crise hídrica já observada no bioma, de acordo com um estudo inédito lançado nesta quarta-feira (3) pela WWF-Brasil e realizado pela empresa especializada ArcPlan. Outro estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) indica que a seca no Cerrado brasileiro é sem precedentes, pelo menos nos últimos 700 anos. Juntos, ambos biomas compõem quase metade de Mato Grosso.

Por meio das imagens do satélite Planet os pesquisadores observaram que pulso de cheias não aconteceu neste ano, sem o transbordamento dos rios, tão importante para a manutenção do sistema pantaneiro.

“De forma geral, considera-se que há uma seca quando o nível do Rio Paraguai está abaixo de 4 metros. Em 2024, essa medida não passou de 1 metro. O nível do Rio Paraguai nos cinco primeiros meses deste ano esteve, em média, 68% abaixo da média esperada para o período. O que nos preocupa é que, de agora em diante, o Pantanal tende a secar ainda mais até outubro. Nesse cenário, é preciso reforçar todos os alertas para a necessidade urgente de medidas de prevenção e adaptação à seca e para a possibilidade de grandes incêndios”, afirma Helga Correa, especialista em conservação do WWF-Brasil que é também uma das autoras do estudo.

Na Bacia do Alto Rio Paraguai, onde se situa o Pantanal, a estação chuvosa ocorre entre os meses de outubro e abril, e a estação seca, entre maio e setembro. De acordo com o estudo, entre janeiro e abril de 2024, a média da área coberta por água foi de 400 mil hectares, em pleno período de cheias, abaixo da média de 440 mil hectares registrada na estação seca de 2023.

No caso do Cerrado, o aquecimento global na região central do país tem sido mais intenso, sendo o aumento das temperaturas cerca de 1 °C acima da média global, que é de 1,5 °C. A condição tem gerado um distúrbio hidrológico: a temperatura próxima ao solo está tão quente que uma parte significativa da água da chuva evapora antes de se infiltrar no terreno. A anomalia traz diversas consequências, como mudanças no padrão de chuva, que está mais concentrada em poucos eventos, e menor recarga nos aquíferos.

Para chegar a essa conclusão, o trabalho revisou os dados de temperatura, vazão, precipitação regional e balanço hidrológico da Estação Meteorológica de Januária – uma das mais antigas de Minas Gerais, com registros iniciados em 1915 – e os correlacionou com as variações da composição química de estalagmites de uma caverna no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, situada no mesmo município.

“Com o uso de dados geológicos foi possível expandir a percepção da seca causada pelo aquecimento global para um período bem anterior ao dos registros meteorológicos. Dessa forma, conseguimos fazer a reconstituição do clima até sete séculos atrás. Isso permitiu não somente provar que o Cerrado está mais seco, mas que a origem dessa seca tem relação com o distúrbio do ciclo hidrológico causado pelo aumento da temperatura induzida pela atividade humana na emissão de gases do efeito estufa”, afirma Francisco William da Cruz Junior, professor do Instituto de Geociências (IGc-USP) e um dos autores do estudo.

Conforme o estudo, a mensagem é que não há paralelo com a seca que estamos vivenciando atualmente, contudo, há uma tendência de aumento da temperatura que começa nos anos 1970, mas ainda não se atingiu o pico de aquecimento. Por isso, os pesquisadores afirmaram que a expectativa é que esse fenômeno piore ainda mais.

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