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ECONOMIA Terça-feira, 26 de Agosto de 2025, 08:17 - A | A

Terça-feira, 26 de Agosto de 2025, 08h:17 - A | A

transações internacionais

Gasto de brasileiros no exterior atinge maior valor em 11 anos em julho

Se por um lado, alta do IOF encareceu compra de moda estrangeira, queda na cotação da moeda norte-americana amenizou valor das transações. No acumulado deste ano, recuo foi de 11,3%

G1

Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 2,34 bilhões em julho, informou nesta terça-feira (26) o Banco Central.

De acordo com a instituição, este é o maior valor desde setembro de 2014 — quando somou US$ 2,37 bilhões, ou seja, em cerca de onze anos.

Também é o maior valor para meses de julho desde o mesmo ano (2014), momento em que as despesas lá fora totalizaram US$ 2,41 bilhões.

A série histórica para os gastos de estrangeiros no Brasil tem início em 1995.

No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 12,5 bilhões.

De acordo com o BC, esse também é o maior valor, para o período de janeiro a julho, desde 2014 — momento em que totalizaram US$ 14,9 bilhões.

Alta do IOF
O crescimento nos gastos de brasileiros lá fora acontece apesar do aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio, anunciado pelo governo em meados maio deste ano - que encareceu a compra de moeda estrangeira.

Após ajustes feitos pela equipe econômica, a medida vigorou até 27 de junho, quando foi derrubada pelo Congresso Nacional, sendo retomada, novamente — em quase sua totalidade —, em 16 de julho após decisão do Supremo Tribunal Federal.

 O IOF subiu para compra de moeda estrangeira em espécie, de de 1,1% para 3,5%, assim como para remessas de recurso para conta de brasileiros no exterior.

A compra de moeda em espécie e as remessas para contas no exterior eram utilizadas por viajantes para pagarem menos IOF do que no cartão de crédito, que, até era de 3,38%. Essa alíquota também avançou para 3,5%.

Dólar em queda e atividade econômica
Se por um lado, a alta do IOF encareceu a compra de moda estrangeira, a queda na cotação da moeda norte-americana amenizou o valor das transações.

Nesta segunda-feira (24), o dólar fechou em queda de 0,05%, cotado a R$ 5,48. No acumulado deste ano, a queda foi de 11,3%.

Além do dólar, segundo analistas, as despesas no exterior também são influenciadas pelo nível de atividade econômica.

Apesar de desaceleração, a economia segue apresentando crescimento neste ano - mesmo com o aumento da taxa básica de juros para 15% ao ano.

Contas externas
No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo dados do BC, déficit das contas externas brasileiras avançou 76,4%, para US$ 40,1 bilhões.

O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do país, é formado por:

balança comercial: que é o comércio de produtos entre o Brasil e outros países;
serviços: adquiridos por brasileiros no exterior; e
rendas: remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior.

Somente em julho, as contas externas registraram um saldo negativo de US$ 7,1 bilhões, contra um déficit de US$ 5,2 bilhões no mesmo período do ano passado.

O Banco Central costuma explicar que o tamanho do rombo das contas externas está relacionado com o crescimento da economia. Quando cresce, o país demanda mais produtos do exterior e realiza mais gastos com serviços também. Por isso, o déficit também sobe.

A piora das contas externas, na parcial até julho, está relacionada principalmente com o desempenho da balança comercial, que teve superávit de US$ 32,3 bilhões. No mesmo período do ano passado, o saldo positivo foi maior: US$ 44,2 bilhões.

Levando em consideração todo o ano passado, o déficit em conta corrente somou cerca de US$ 57,89 bilhões (valor revisado).
Para o ano de 2025 fechado, o Banco Central estimou, em junho, um rombo de US$ 58 bilhões.

Investimentos estrangeiros diretos
O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira registraram queda de 6,4% de janeiro a julho deste ano, para US$ 42,1 bilhões.

 Mesmo assim, os investimentos estrangeiros foram suficientes para "financiar" o rombo das contas externas de US$ 40,1 bilhões registrado no mesmo período.

Somente em julho, os investimentos estrangeiros totalizaram US$ 8,3 bilhões, contra US$ 7,2 bilhões no mesmo mês de 2024.

No ano passado completo, os investimentos estrangeiros diretos no país somaram US$ 71,1 bilhões.
Para o ano de 2025 fechado, o Banco Central estimou, em março, um valor de US$ 70 bilhões.

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