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ECONOMIA Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026, 07:55 - A | A

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principal entrave

Oito em cada dez empresas industriais que tiveram dificuldade para obter crédito culpam os juros altos

Quase um terço das empresas que tentaram contratar ou renovar crédito de longo prazo não tiveram êxito

CNI

Oito em cada dez empresas industriais que enfrentaram dificuldades na obtenção de crédito apontam os juros elevados como o principal obstáculo no acesso ao crédito de curto ou médio prazo (até cinco anos). É o que mostra a Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE). 

Segundo a pesquisa, 80% dos empresários que afirmaram ter dificuldade na obtenção de crédito de curto ou médio prazo apontam os juros altos como o maior entrave para o financiamento. Em seguida, aparecem a exigência de garantias reais, como bens móveis ou imóveis, com 32% de assinalações, e a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas, com 17%. 

A ordem dos principais problemas se repete quando o assunto é a busca por crédito de longo prazo (acima de cinco anos). Os juros altos foram citados por 71% dos empresários, enquanto a exigência de garantias reais e a falta de linhas adequadas às necessidades das empresas foram assinaladas por, respectivamente, 31% e 17% dos industriais. 

“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”, avalia Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

Selic alta freou busca por crédito 

Mais da metade (54%) das empresas não buscou contratar ou renovar crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à realização da pesquisa (de fevereiro a julho de 2025), enquanto 49% não foram atrás de crédito de curto ou médio prazo no mesmo período. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, percentual que cai para 17% em relação ao crédito de longo prazo. 

Considerando apenas as empresas que buscaram contratar ou renovar crédito nos seis meses anteriores à pesquisa, quase um terço das que tentaram contratar ou renovar crédito de longo prazo não tiveram sucesso, ao passo que cerca de um quinto das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo não tiveram êxito. 

No recorte por porte de empresa, o percentual de frustração na obtenção de crédito de longo prazo chegou a 43% entre as médias indústrias, seguidas pelas pequenas (37%) e pelas grandes (27%). Na procura por crédito de curto ou médio prazo, a frustração atingiu 26% das médias empresas, 21% das pequenas e 16% das grandes. 

Condições de acesso ao crédito pioraram para mais de um terço das empresas 

A pesquisa também mostra que 35% das empresas industriais que renovaram crédito de curto prazo ou médio prazo no período analisado afirmaram que as condições de acesso, como taxas de juros, número de parcelas, período de carência e exigência de garantias, ficaram piores ou muito piores entre fevereiro e julho de 2025. Em relação ao crédito de longo prazo, 33% das indústrias que renovaram crédito de longo prazo no período tiveram a mesma avaliação. 

Já para 47% das empresas que renovaram suas linhas de crédito de curto ou médio prazo, as condições permaneceram semelhantes nos seis meses anteriores à pesquisa, indicando que não houve mudanças significativas nas condições oferecidas pelas instituições financeiras na avaliação dessas empresas. No caso de empresas que renovaram linhas de crédito de longo prazo, o percentual é o mesmo (47%). 

14% dos entrevistados conseguiram, no período, a renovação do crédito de curto ou médio prazo em condições melhores ou muito melhores do que nos seis meses anteriores à pesquisa. O percentual cai para 12% no caso de crédito de longo prazo. 

Risco sacado ainda é desconhecido 

Apenas 13% das empresas industriais afirmaram já ter contratado alguma operação de risco sacado nos 12 meses anteriores à pesquisa, ao passo que outros 5% pretendiam contratar nos 12 meses seguintes à pesquisa. Por outro lado, 54% declararam não ter contratado nem pretender contratar operação de risco sacado, enquanto 29% dos empresários não souberam ou não quiseram responder. Esses dados demonstram que a maior parte das empresas industriais tem baixa adesão ou familiaridade com essa modalidade de crédito. 

O risco sacado é uma modalidade de antecipação de recebíveis na qual participam o fornecedor, o comprador (sacado) e a instituição financeira. Nela, o fornecedor obtém, junto a uma instituição financeira, o pagamento antecipado de uma operação realizada, enquanto o comprador assume o compromisso de quitar o valor diretamente com a instituição financeira na data de vencimento originalmente acordada na operação. Dessa forma, o fornecedor recebe os recursos de forma imediata, enquanto a obrigação de pagamento permanece com o comprador.

 

 

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