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INTERNACIONAL Terça-feira, 29 de Junho de 2021, 15:37 - A | A

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BIOLOGIA

Espécie de rato é redescoberta na Austrália após 164 anos sumida

Últimos espécimes do rato de Gould ("Pseudomys fieldi") foram identificados entre 1856 e 1857 — até que cientistas o encontraram na baía Shark, no oeste do país

Revista Galileu

Não há outro lugar no mundo com uma taxa de extinção de mamíferos tão alta quanto a Austrália. Desde a colonização europeia, em 1788, 34 espécies terrestres do grupo já foram declaradas extintas no país — sobretudo roedores. Mas, de acordo com um novo estudo liderado pela Universidade Nacional da Austrália (ANU), um nome deverá ser retirado desta lista: trata-se do rato de Gould ou Pseudomys fieldi. Isso porque, considerada extinta há mais de 150 anos, a espécie, pouco menor que o rato-preto e considerada bastante sociável, foi redescoberta nas ilhas de Shark Bay, localizada na Austrália Ocidental.

"A ressurreição desta espécie traz boas notícias em face da taxa desproporcionalmente alta de extinção de roedores nativos, que representam 41% da extinção de mamíferos australianos desde a colonização europeia em 1788", comemora, em comunicado, Emily Roycroft, bióloga, pesquisadora da ANU e principal autora do estudo, cujos resultados serão veiculados na edição de julho da revista científica PNAS.

Declínio catastrófico

Embora os roedores sejam os mamíferos mais gravemente afetados pela chegada dos europeus à Austrália, o registro histórico dessas extinções é considerado esparso, tal qual a escala e o momento de seu declínio populacional. Por isso, os pesquisadores compararam amostras de DNA de toda a assembleia de roedores extintos da família à qual pertence o rato de Gould — a Muridae. Ao todo, a equipe analisou espécimes de museu de oito roedores australianos extintos, assim como de 42 de seus parentes vivos.

Antes da colonização, esses roedores viviam em grandes populações, mas acredita-se que três fatores dizimaram os animais rapidamente: a introdução de espécies invasoras — tal como gatos selvagens e raposas —, o desmatamento de terras agrícolas e a dispersão de novas doenças. O estudo revelou que, um pouco antes de seu declínio, todas essas espécies tinham diversidade genética relativamente alta, o que sugere que essa característica não foi suficiente para protegê-las de uma extinção catastrófica.

"É empolgante que o rato de Gould ainda esteja por aí, mas seu desaparecimento do continente destaca a rapidez com que essa espécie deixou de ser distribuída na maior parte da Austrália, para sobreviver apenas em ilhas offshore na Austrália Ocidental", alerta Rpycroft. "É um colapso populacional enorme”.

Antes da colonização, o rato de Gould também podia ser encontrado no sudoeste da Austrália Ocidental, a leste do estado de Nova Gales do Sul. O animal vivia em pequenos grupos familiares que, durante o dia, se abrigavam em ninhos de grama seca e macia em tocas profundas — que podiam alcançar 15 centímetros abaixo do solo. Até então, as últimas amostras do roedor haviam sido recolhidas entre 1856 e 1857.

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