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OPINIÃO Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2026, 08:48 - A | A

Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2026, 08h:48 - A | A

Dayane Nascimento

O que a cultura brasileira ensina sobre estratégia de marca

Dayane Nascimento

Em um mercado saturado por discursos globais padronizados, marcas que sabem de onde falam comunicam melhor. Não por estética, mas por estratégia. A cultura brasileira, longe de ser apenas fonte de inspiração criativa, é um ativo estrutural para a construção de marcas coerentes, reconhecíveis e sustentáveis no longo prazo.

Dados reforçam essa relevância. Segundo a UNESCO, as indústrias culturais e criativas respondem por 3,1% do PIB mundial e geram mais de 48 milhões de empregos. No Brasil, o Observatório Itaú Cultural aponta que a economia da cultura e das indústrias criativas representa cerca de 3% do PIB nacional, com impacto direto em setores como publicidade, audiovisual, design, moda e tecnologia. Cultura movimenta a economia, orienta escolhas de consumo e molda a percepção de valor.

Ainda assim, muitas estratégias de marca insistem em importar narrativas, formatos e promessas desconectadas do território em que atuam. O resultado é uma comunicação genérica, pouco memorável e facilmente substituível. Quando tudo soa igual, o diferencial deixa de existir.

Na visão da Cartê, a cultura brasileira deve ser compreendida como um ativo estratégico central. Em um cenário marcado pela padronização de discursos e estéticas globais, ler o território cultural em que a marca está inserida se torna um diferencial competitivo real. Linguagem, ritmo, referências simbólicas e modos de relação influenciam diretamente a forma como uma marca é percebida e reconhecida ao longo do tempo.

Marcas que sabem de onde falam não apenas comunicam melhor, mas constroem posicionamentos mais legítimos e duradouros. Esse entendimento não é novo no campo do marketing. Philip Kotler já destacava que marcas fortes se consolidam a partir da conexão com valores sociais e culturais reais, e não apenas pela performance do produto. Estratégia, nesse sentido, começa pela leitura de contexto antes de se transformar em campanha.

Países como os Estados Unidos compreenderam cedo o poder da cultura como ativo econômico e simbólico. Cinema, música, publicidade e entretenimento foram articulados como instrumentos de influência global, projetando valores, estilos de vida e comportamentos. Não se trata de replicar esse modelo, mas de reconhecer que cultura também é estratégia de permanência e poder.

No Brasil, essa consciência ainda é pouco explorada. A diversidade cultural, os repertórios regionais e os modos próprios de relação são frequentemente reduzidos a estereótipos ou ignorados em nome de uma suposta sofisticação global. O paradoxo é que, ao fazer isso, marcas abrem mão de seu principal diferencial competitivo.

O que a cultura brasileira ensina sobre estratégia de marca é, sobretudo, a importância da autoria. Produções que preservam identidade e não buscam validação em padrões externos demonstram que clareza de propósito e coerência narrativa geram reconhecimento consistente ao longo do tempo.

No marketing, isso se traduz em planejamento menos ansioso e mais consciente, que começa pela escuta e pela leitura do contexto, e não pela corrida constante por novidades. Para a Cartê, pensar estratégias a partir da cultura é escolher um caminho mais sólido, que respeita a história da marca, o público com quem se dialoga e o território onde essa relação acontece.

Quando a estratégia nasce da cultura, a marca não segue tendências. Ela cria sentido, sustenta identidade e permanece relevante. É assim que se constrói valor no longo prazo, fortalece-se a reputação e contribui-se para um ecossistema de consumo mais consciente, diverso e sustentável.

Dayane Nascimento, consultora marketing com formação na UFMT, especialista em planejamento estratégico e economia comportamento pela ESPM/SP e empresária.

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