Pesquisa Datafolha publicada no sábado (14) mostra que a maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6x1, na qual o trabalhador trabalha seis dias seguidos e tem apenas um dia de descanso. O tema, que está sendo debatido no Congresso, ganhou força no cenário político nas últimas semanas.
De acordo com a análise, 71% dos entrevistados defende que o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto 27% afirmam que não deveria. Apenas 3% não responderam.
O número mostra que o apoio à redução da jornada de trabalho cresceu em comparação ao resultado de uma pesquisa realizada entre 12 e 13 de dezembro de 2024, quando 64% disseram ser favoráveis ao fim da escala nesses moldes, enquanto 33% disseram ser contra.
O Datafolha fez as perguntas entre os dias 3 e 5 de março. Foram entrevistadas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
O fim da escala 6x1 defende uma redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário. A nova escala seria de cinco dias de trabalho e dois de descanso, o que vem sendo chamado de escala 5x2.
O tema é tido como prioridade pelo governo do presidente Lula por sua potencial popularidade social — especialmente em um ano eleitoral. Em seu pronunciamento do Dia das Mulheres, Lula defendeu que redução da jornada de trabalho poderia ajudar sobretudo mulheres trabalhadoras, que muitas vezes acabam acumulando, além da jornada tradicional de trabalho, outras tarefas domésticas.
A pesquisa mostrou que as mulheres são as que mais apoiam a mudança na escala de trabalho: 77% das entrevistas se posicionaram a favor da redução, enquanto esse percentual entre os homens é de 64%. A margem de erro nesse caso é de três pontos percentuais.
O debate ganhou força após declarações públicas favoráveis de ministros, como o chefe da a Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
A Câmara dos Deputados realizou, na última terça-feira (10), uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para discutir propostas sobre alteração do modelo da jornada de trabalho. A aprovação da matéria no colegiado é o primeiro passo para que o tema comece a andar no Legislativo.
Perfil dos entrevistados
A pesquisa mostra que, entre os entrevistados que trabalham até cinco dias por semana (53%) e os que trabalham seis ou até sete dias (47%), este segundo grupo é menos favorável à redução da jornada: 68% dessa fatia apoia a medida frente a 76% dos que já trabalham em uma escala menor.
O fenômeno, observa a análise, pode ser explicado porque a maior proporção de autônomos e empresários está nesse grupo (dos que têm uma jornada semanal maior). Na visão deles, trabalhar mais tempo pode significar uma renda maior.
Já entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana há uma maior participação de funcionários públicos, para quem a duração da jornada não costuma influenciar na renda.
Entre os entrevistados, 66% trabalham até 8 horas por dia, 28% entre 8 horas e 12 horas, e 5% mais de 12 horas. Não soube responder: 1%.
Impactos e consequência na Economia
Quando questionados sobre o impacto para as empresas, os entrevistados se dividem: 39% dizem acreditar que o fim da escala 6x1 trará efeitos positivos, enquanto a mesma porcentagem acredita que terá impactos negativos.
Essa também é uma mudança em relação à pesquisa realizada em dezembro de 2024: naquela sondagem, 42% apontava efeitos negativos para as empresas.
Já quanto às consequências para a economia, 50% afirmam que o fim da escala 6x1 terá um efeito ótimo ou bom, enquanto 24% acreditam que terá um impacto ruim ou péssimo.
Quando questionados sobre os impactos para os trabalhadores, 76% dizem acreditar que a redução será ótima ou boa para a qualidade de vida. Esse índice é de 81% entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana. Entre os que trabalham seis ou sete dias, cai para 77%.
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