O ministro André Mendonça é o novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e se consolida como uma figura central na política brasileira em um ano decisivo para governo, Congresso e Judiciário, com eleições no radar. Ele é visto como alguém de perfil técnico e que não faz perseguições.
O nome dele foi sorteado no sistema interno do Supremo na noite da última quinta-feira (12) após a saída de Dias Toffoli.
Mendonça acumula poderes porque já estava à frente da investigação no STF que apura fraudes no INSS, um caso que causa preocupações ao PT e ao entorno de Lula, e será vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (STF), em dobradinha com Nunes Marques, que vai comandar a justiça eleitoral. Um termômetro importante é observar as reações dos diferentes setores de Brasília, entre Congresso, STF e Banco Central (BC).
Indicado para o STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, ele tem uma relação de gratidão com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que ajudou muito em sua sabatina no Senado, que na época foi muito sofrida, pois o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), então presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), atrasou em cinco meses a vida do agora ministro.
Setores da PF ouvidos pelo blog, do Banco Central e do INSS estão comemorando o nome de Mendonça. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), relator da CPI do INSS, considerou a indicação o que chamou de "ótima notícia".
Indicação 'terrivelmente evangélica'
Segundo indicado ao STF por Bolsonaro, André Mendonça foi aprovado na sabatina do Senado em 1º de dezembro de 2021 por 47 votos a favor e 32 contra. Ele ocupou a vaga deixada por Marco Aurélio Mello.
Sua indicação ocorreu depois de Kassio Nunes Marques.
Na época, Bolsonaro havia dito em discursos que indicaria à Corte um ministro 'terrivelmente evangélico'. Mendonça é pós-graduado em direito pela Universidade de Brasília (UnB) e pastor na Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília. Ele foi Advogado-Geral da União de janeiro de 2019 a abril de 2020, quando foi nomeado ministro da Justiça. Em março de 2021, voltou a chefiar a AGU.
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