O câncer de mama, historicamente associado a mulheres mais velhas, também tem sido diagnosticado em pacientes abaixo dos 40 anos. A mudança no perfil, chama a atenção para a importância do autocuidado, da adoção de hábitos saudáveis e do acompanhamento médico. O alerta é da mastologista e ginecologista obstetra da Unimed Cuiabá, Tabata Natashe Vicente Machado.
Segundo a especialista, estudos realizados ao longo dos últimos anos apontam uma mudança no cenário do câncer de mama, com aumento de diagnósticos em mulheres mais jovens. Na avaliação da médica, o comportamento e o estilo de vida da população feminina passaram por transformações importantes, com reflexos nos fatores de risco associados à doença.
“Você não tem apenas aquela idosinha, aquela vozinha com câncer de mama. Hoje você vê muitas mulheres precoces, ali na faixa dos 26 aos 30 e poucos anos. E isso aumentou em números absolutos numa faixa mais ou menos de 79% de aumento em mulheres mais jovens. Isso é assustador”, explica
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Entre os fatores que podem contribuir para esse cenário, a mastologista cita obesidade, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo. Tabata também destaca mudanças relacionadas à maternidade e à amamentação, já que muitas mulheres atualmente engravidam mais tarde ou optam por não ter filhos.
“A amamentação traz proteção para a mama e reduz o risco de câncer. Como o cenário hoje é de mulheres engravidando cada vez mais tarde ou optando por não ter filhos, esse fator de proteção acaba ficando de lado. Por isso, é importante reforçar outros cuidados, como manter um peso saudável, praticar atividade física e ter uma alimentação equilibrada”, explicou.
GENÉTICA NÃO EXPLICA A MAIORIA DOS CASOS
Apesar de a predisposição genética ser frequentemente associada ao câncer de mama, a especialista ressalta que ela representa apenas uma parcela dos diagnósticos sendo entre 5% e 10%, o que reforça a importância de olhar também para outros aspectos que podem ser modificados ao longo da vida.
Para reduzir os fatores de risco modificáveis, a recomendação é manter uma rotina mais saudável, com atividade física regular, controle do peso e alimentação equilibrada, além de reduzir o consumo de álcool e evitar o tabagismo. Tabata também chama atenção para a redução do consumo de alimentos ultraprocessados.
“Você tem que ensinar desde pequena. A criança tem que ser ativa, ela não pode ser obesa, ela tem que manter um hábito saudável em relação à alimentação, evitando fast food, açúcar, refrigerantes. Tem um oncologista que fala que a gente deve comer apenas o que Deus fez, como as frutas, legumes, verduras e tirar o que foi produzido pelo ser humano e isso não é só para evitar câncer de mama, mas outros problemas de saúde também”, orienta.
DIAGNÓSTICO PRECOCE AUMENTA CHANCES DE CURA
O acompanhamento adequado é fundamental porque, quando o câncer de mama é identificado em estágio inicial, as possibilidades de tratamento e cura são maiores. Segundo a mastologista, nos casos diagnosticados precocemente, as chances de cura podem chegar a 95% a 100%.
A especialista ressalta ainda que não existe um único tratamento para todas as pacientes. A estratégia depende das características do tumor, da idade da mulher, da extensão da doença e de outros fatores avaliados pela equipe médica.
Tabata também destaca que os avanços no tratamento permitem hoje uma abordagem mais específica para cada tipo de tumor, com diferentes possibilidades terapêuticas, incluindo terapias-alvo e imunoterapia em situações indicadas.
HOMENS TAMBÉM DEVEM FICAR ATENTOS
Embora seja muito menos frequente, o câncer de mama também pode atingir homens. De acordo com a mastologista, aproximadamente 1% dos casos ocorre no sexo masculino. Como os homens geralmente não realizam acompanhamento específico das mamas, o diagnóstico pode ocorrer somente após o surgimento de uma alteração perceptível.
Nesses casos, a orientação é observar o próprio corpo e procurar avaliação diante de sinais como nódulos, alterações na pele ou secreção pelo mamilo.
“O homem também tem que se cuidar, tem que olhar para o próprio corpo e ver o que está diferente, o que está no habitual e o que apareceu”, alerta a especialista.
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