Um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open constatou que crianças que possuem seus próprios smartphones aos 12 anos têm maior probabilidade de desenvolver sintomas de transtornos alimentares alguns anos mais tarde.
A pesquisa foi realizada com cerca de nove mil adolescentes dos Estados Unidos. Foram utilizados dados do Adolescent Brain Cognitive Development Study, um estudo amplo e de longo prazo sobre o desenvolvimento cerebral e a saúde das crianças americanas. Os jovens foram acompanhados dos 12 aos 14 anos.
Os pesquisadores descobriram que 70% das crianças de 12 anos possuíam seu próprio celular. Foram levados em conta sintomas anteriores de transtornos alimentares e uma série de fatores demográficos, de desenvolvimento, de saúde mental e familiares.
Aqueles que tinham smartphones apresentaram um risco 67% maior de sintomas de compulsão alimentar. Além disso, foi notado um risco 50% maior de comportamentos inadequados destinados a evitar o ganho de peso consumindo alimentos de baixa caloria ou praticando exercícios intensos, por exemplo. Eles também apresentaram cerca do dobro do risco de vincular sua autoestima ao peso.
O estudo feito pela Universidade da Califórnia, em São Francisco, apontou uma associação, não uma confirmação concreta, de que os celulares causem transtornos alimentares. Os cientistas não definiram uma idade ideal para o primeiro aparelho. Ademais, esses são sintomas autorrelatados pelos adolescentes, não diagnósticos.
Comportamentos alimentares desordenados e um transtorno alimentar passível de diagnóstico diferem especialmente quanto à gravidade e ao fato de a pessoa preencher ou não critérios clínicos formais.
Ambos podem envolver uma fixação em comida e peso, uma percepção distorcida da forma corporal, restrição alimentar ou tentativas de compensar a ingestão de calorias por meio de vômitos ou exercícios.
Ainda assim, as conclusões sugerem que o momento de adquirir o primeiro celular assim que entra na puberdade pode não ser o melhor caminho. Outra análise de 32 estudos realizada em 2023, envolvendo mais de 63 mil jovens em 16 países, constatou que cerca de 22% das crianças e dos adolescentes apresentaram resultados positivos para transtornos alimentares.
Um estudo separado, publicado por pesquisadores da área médica na Filadélfia, constatou que dar um smartphone a uma criança antes dos 12 anos pode aumentar o risco de depressão, obesidade e sono insuficiente, comparadas com seus colegas que não possuem o aparelho.
Uso de telas e nas redes sociais está associado a uma série de consequências negativas para as crianças, como depressão, menor autoestima e experimentação de drogas e álcool. No novo estudo, os cientistas decidiram evidenciar a idade em que as crianças começam a usar smartphone e como isso pode afetar o desenvolvimento de transtornos alimentares futuramente.
Deve-se ficar atento quando o adolescente começa a ingerir quantidades incomumente grandes de comida em pouco tempo, esconder alimentos, pular refeições, fazer dietas extremas, praticar exercícios de forma compulsiva, falar frequentemente sobre peso ou formato do corpo e ter o humor oscilando conforme o número na balança. Isoladamente, nenhum desses sinais constitui um diagnóstico, mas a recomendação é procurar um médico caso esses padrões persistam.
Casos mais graves, com desmaios, dor no peito, batimentos cardíacos acelerados ou irregulares, tontura intensa, vômito com sangue ou sinais de hidratação grave, exigem atendimento urgente.
CLIQUE AQUI e faça parte do nosso grupo para receber as últimas do Noticia Max.


0 Comentários