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ESPORTE Sábado, 12 de Novembro de 2016, 22:03 - A | A

Sábado, 12 de Novembro de 2016, 22h:03 - A | A

Superação

‘O esporte me deu uma vida nova’, diz atleta no JUBs

Futsal masculino de MT fatura medalha de prata

Lousdembergue Rondon / Foto: Junior Martins

Pobreza, criminalidade, filho nascido morto, sacrifícios, lágrimas e sucesso. É comum se ver exemplos de superação pelo esporte e este é o caso do jogador de futsal, Kleyton Magalhães, o Pepê, um cuiabano de atuais 25 anos. Ele é a prova de que dificuldades podem ser vencidas por pior que sejam. Na 64ª edição dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs-Cuiabá), ele garantiu a medalha de prata com o time de futsal após vencer a semifinal contra Mato Grosso do Sul por placar de 6x2.

 

“Quando nasci minha mãe tinha apenas 13 anos. Ela e minha avó sustentavam a casa com o trabalho de doméstica. E conheci o futebol ainda criança nas brincadeiras com os amigos. Com o tempo comecei a frequentar os clubes de futsal, mas como éramos muito pobres, eu tinha que pedir dinheiro para os vizinhos para pagar a passagem do ônibus e ir treinar. O meu sonho sempre foi dar uma vida melhor para a minha família e hoje, com o que ganho profissionalmente, consigo ajudá-los”, disse Kleyton.

 

Com 16 anos, Pepê começou a participar de campeonatos no interior do estado e logo depois foi morar em Juína. Lá passou dois anos disputando todos os jogos que conseguia. O esforço deu resultado e foi chamado para jogar na Liga Nacional de São Paulo. Então, com 18 anos, fez as malas e partiu sozinho para a capital paulista. E como profissional contratado conquistou o título de campeão da liga em 2010. Porém, os treinos e competições eram rigorosos e só podia rever a família nos natais e fins de ano.

 

“Viajo muito para jogar por equipes da primeira divisão do futsal. Dá muita saudade ficar longe de casa. Pensei em desistir várias vezes. Já perdi a cabeça, chorei, mas pensei, me acalmei e não desisti. Tudo que conquistei vem do esporte, inclusive uma melhor condição de vida para minha mãe. Quando estava em São Paulo mandava dinheiro para ela e graças a isso ela conseguiu se formar e agora trabalha como técnica em enfermagem”, contou o jogador.

 

Pepê teve de lidar desde cedo com a ausência do pai, que está preso na Penitenciária Central do Estado (antigo Pascoal Ramos), há 12 anos, por tráfico de drogas. Quando Pepê tinha 16 anos a mãe dele teve depressão por conta de um tio que foi assassinado em um assalto aos 28 anos. Nesta época, o jogador estava na liga paulista e não pôde voltar para casa por causa da regrada disciplina do time, que teve de obedecer para continuar a jogar.

 

“Quando eu tinha 19 anos morava sozinho em São Paulo. Daí fui passar o natal em Cuiabá e fui visitar meu pai na cadeia. Levei uma camisa da liga nacional paulista como presente e ele ficou emocionado. E nesse dia houve uma rebelião na cadeia e eu fui usado de refém. Fiquei com muito medo, mas nada me aconteceu, os presos disseram que era apenas para terem as exigências deles atendidas. Desde então não visito mais meu pai, mas nos falamos bastante por telefone. Faz mais de 10 anos que não passo o natal com ele, mas, felizmente, ele terá um indulto de natal em dezembro”, declarou Pepê.

 

Por morar na periferia, a criminalidade sempre esteve presente na vida de Kleyton. Precisou de muita ajuda para conseguir se sustentar e se manter nos treinos. E, apesar de toda situação já ser difícil, ainda era tratado com preconceito. Lhe diziam que não conseguiria ser atleta e que entraria na criminalidade. “Falavam que eu seria bandido por influência do meu pai. Na época todos os meus amigos eram viciados em drogas, acho que só não virei por causa da bola, o esporte mudou minha vida”, disse.

 

Na casa do atleta moram outras seis pessoas, a mãe, avós maternos, dois irmãos, de 14 e 16 anos, que também sonham em ser jogadores profissionais, e a esposa, a professora de educação física Lídia Soares, com quem se relaciona há oito anos. Lídia ajuda nos treinamentos, na parte de musculatura, alongamentos e exercícios cardiorrespiratórios. E, um mês atrás, Kleyton teve estiramento no ligamento do joelho durante um jogo e, segundo a esposa, não teve como jogar algumas partidas e nem ser pago por elas.

 

“O Pepê ainda está em tratamento com a fisioterapeuta, mas ela permitiu que ele participasse dos jogos universitários. Ele passa muito tempo longe e cerca de dois meses atrás, quando estava fora, aconteceu uma tragédia. Eu perdi nosso filho em um aborto espontâneo, estava grávida de cinco meses. Acho que ele sofreu demais por conta disso, percebi que ficou abalado e desmotivado. Aguardamos tudo ficar melhor, pois queremos ter um filho, mas ainda não planejamos tentar de novo”, falou a esposa, Lídia.

 

De acordo com o atleta, que marcou pelo menos dez gols nos jogos universitários, o principal objetivo na competição era de subir Mato Grosso da terceira para a segunda divisão. Conseguiram ir além disso, pois, segundo eles, fizeram história ao conquistar a primeira medalha de prata de Mato Grosso no futsal do JUBs, após perder na final para a Paraíba por 3x2, no último sábado (12.11). E para o ano que vem Pepê planeja participar novamente da liga de futsal paulista.

 

Os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) ocorreram em Cuiabá (MT), sob organização da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e Federação Mato-grossense de Esporte Universitário (FMEU), em parceria com Governo Federal e Governo de Mato Grosso e apoio da Prefeitura de Cuiabá. 

 

Assessoria FMEU - www.clippingcom.com

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