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INTERNACIONAL Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026, 12:15 - A | A

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tensão na região

Como a Otan está ampliando atuação no Mar Negro em meio à intensificação dos ataques russos

R7

Reprodução/Record News

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai ampliar os recursos de monitoramento no Mar Negro diante do aumento dos ataques contra embarcações comerciais em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia. A medida prevê o emprego de aeronaves de patrulha marítima, radares, drones e equipes de inteligência para acompanhar a movimentação na região.

Cinco navios de carga foram atacados na terça-feira (20), em novos episódios que elevaram a preocupação com a segurança das rotas marítimas. Três embarcações estavam no porto ucraniano de Reni, enquanto outras duas navegavam em direção a Odessa, de acordo com informações das Forças Armadas russas.

Os ataques atingem uma região estratégica para o transporte de grãos e outros produtos agrícolas da Ucrânia, cujas exportações dependem das rotas do Mar Negro. A intensificação dos incidentes também aumenta o risco de que a guerra provoque novos atritos entre Moscou e os países integrantes da aliança militar ocidental.

A porta-voz da Otan, Allison Hart, afirmou que os representantes dos países-membros discutiram a segurança marítima durante uma reunião do Conselho do Atlântico Norte. Segundo ela, o reforço incluirá recursos de vigilância, reconhecimento e análise forense, além das capacidades já mobilizadas no flanco oriental da aliança, inclusive para combater drones.

Incursões de drones elevam tensão com países da aliança

Além dos ataques contra navios, a incursão de drones em áreas próximas ao território de países-membros tem aumentado a tensão na região. A Romênia mobilizou caças no fim de semana para interceptar dois aparelhos suspeitos de origem russa que sobrevoavam seu território.

O ministro da Defesa romeno, Radu Miruță, afirmou que os drones voavam a cerca de 450 km/h, velocidade que levou as autoridades a suspeitar de modelos Geran-4, de fabricação russa. Segundo o ministro, foi a primeira vez que o país abateu aparelhos desse tipo.

A Romênia registrou 35 incursões não autorizadas de drones em 2026, contra nove em 2025. Neste ano, as forças romenas derrubaram seis aparelhos, enquanto nenhum havia sido abatido no ano anterior, de acordo com os dados citados pelo The Guardian.

A Bulgária também solicitou apoio à Otan, incluindo aeronaves de combate e sistemas de defesa antidrone. Em 18 de outubro, a França enviou uma aeronave de reconhecimento marítimo para a Romênia, em meio à preocupação com a possibilidade de novos incidentes.

Ataques afetam transporte de mercadorias

A sequência de ataques tem elevado os riscos para navios que transportam cargas pelo Mar Negro. Na semana anterior, dois navios-tanque de produtos químicos foram atingidos por drones perto da costa romena. As embarcações estavam ancoradas nas proximidades do canal de Sulina, rota que conecta o rio Danúbio ao Mar Negro e é utilizada para o escoamento de produtos ucranianos.

Segundo o balanço publicado pelo The Guardian, pelo menos outros cinco cargueiros foram atingidos nas proximidades das costas da Romênia e da Bulgária nas duas semanas anteriores. Os incidentes deixaram 23 marinheiros mortos ou desaparecidos. A maioria ocorreu fora das águas territoriais dos países integrantes da Otan.

O aumento das ameaças também repercutiu no mercado de seguros marítimos. Uma nova classificação de alto risco passou a abranger praticamente todo o mar Negro, com exceção das águas territoriais da Romênia, da Bulgária e da Turquia. A mudança reflete a deterioração das condições de segurança para embarcações comerciais.

Ao The Guardian, a Ambrey, empresa especializada em segurança marítima e análise de riscos, avalia que não há perspectiva imediata de redução das ameaças ao transporte de mercadorias, incluindo grãos e petróleo. O cenário também provocou uma alta nos custos dos seguros para navios que atravessam a região.

Tomas Alexa, analista sênior da empresa, afirmou ao jornal britânico que o ritmo dos ataques aumentou significativamente a partir de julho. Segundo a estimativa da Ambrey, as forças russas seriam responsáveis por cerca de 80% dos incidentes analisados.

O analista também apontou que a combinação de drones aéreos com veículos não tripulados de superfície pode ter contribuído para ampliar o número de vítimas. Algumas dessas embarcações marítimas transportam grandes quantidades de explosivos, enquanto navios menores que utilizam os canais do Danúbio podem afundar rapidamente após serem atingidos.

 

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