Com um ataque coordenado ao Irã em andamento, o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixaram claro que o objetivo da operação transcende a ameaça nuclear perpetrada pela República Islâmica e instigaram os iranianos a derrubarem o regime teocrático, no poder desde 1979. Se o programa nuclear, que há oito meses Trump declarou ter erradicado, está entre os alvos da campanha, desta vez, os integrantes da cúpula do regime também foram incluídos.
“Quando terminarmos, assumam o governo. Ele será de vocês”, conclamou o presidente americano. “Criaremos condições para que o corajoso povo iraniano se liberte do jugo deste regime assassino”, completou o premiê israelense.
Batizada de “Fúria Épica” pelos EUA e “Rugido do Leão” por Israel, a operação militar, sobretudo se for prolongada, como o previsto, impõe sérios riscos a ambos os líderes em ano eleitoral. Os EUA renovarão o Congresso nas eleições de meio de mandato, que pode interferir no controle de Trump sobre o Legislativo. Israel elegerá os novos membros do Parlamento e, por consequência, a permanência de seu premiê mais longevo no cargo.
Réu em três processos por corrupção e conhecido pelo instinto de sobrevivência, Netanyahu acostumou-se a equilibrar-se na linha tênue que o sustenta no comando do governo e pode tirar proveito político de mais uma defesa da ameaça iraniana aos israelenses.
Mas, para Trump, especificamente, a aposta de um segundo ataque em oito meses ao Irã é mais ousada, porque contraria o que ele pregou na campanha e conta com escasso apoio dos americanos — 27% de acordo com uma pesquisa recente The Economist/YouGov. A maioria sequer entende as razões do envolvimento do país em mais um conflito no Oriente Médio.
No pronunciamento em tom heroico à nação, para justificar o ataque, ele preveniu que, desta vez, a operação militar poderá acarretar baixas entre americanos, diferentemente do que se viu no ataque de junho passado. A duração do conflito e a perda de vidas certamente teria impacto negativo na opinião pública.
Nas últimas semanas, enquanto se desenrolavam as negociações para um acordo sobre o programa nuclear do Irã e o governo Trump deslocava para a região o maior reforço militar desde 2003, autoridades do Pentágono advertiam o presidente de que uma campanha prolongada contra a República Islâmica poderia sobrecarregar os estoques militares dos EUA.
A capacidade de retaliação do Irã será testada, por meio de ataques a Israel e a bases americanas na região, e guiará as consequências políticas desta nova empreitada militar para Trump e Netanyahu.
CLIQUE AQUI e faça parte do nosso grupo para receber as últimas do Noticia Max.








0 Comentários