Em dificuldades para manter o controle do Congresso nas eleições do próximo dia 3, o presidente Donald Trump e os candidatos republicanos viram nas imagens da França devastada pela violência de saques e incêndios um novo ímpeto para impulsionar a campanha.
O argumento, lançado de forma simples e direta, é também superficial: será este o destino dos EUA sob o controle democrata.
O presidente americano claramente tenta tirar proveito dos protestos que ocorrem do outro lado do Atlântico, atribuindo-os à imigração sem controle, para associá-los ao partido opositor, que ele considera ser impulsionado por “marxistas antiocidentais e imigrantes hostis do Terceiro Mundo.”
“Quando vocês virem torres de igrejas em chamas e incêndios devastadores na França, lembrem-se de que é isso que os 'democratas' radicais querem fazer com os Estados Unidos”, bradou o presidente num comício na segunda-feira no Kansas, um dos campos de batalha que ameaça o partido.
No dia seguinte, ele prometeu gastar mais de US$ 400 milhões de seu fundo de campanha para ajudar os republicanos, motivado pelas cenas de violência na França e em outros países europeus.
Os republicanos se encontram numa disputa eleitoral acirrada, em momento crucial para o presidente: pesquisas dão conta de que perderão o controle na Câmara dos Representantes para os democratas. No Senado, a disputa é ainda mais árdua: os democratas precisam conquistar quatro cadeiras para assumir a maioria.
Trump diz que EUA vão 'queimar' como a França se democratas vencerem midterms
Figuras proeminentes do partido, como o vice-presidente JD Vance e o presidente da Câmara, Mike Johnson, seguiram o presidente na retórica anti-imigração para justificar o caos. “É que acontece quando você traz pessoas que não compartilham a cultura do país”, afirmou Vance.
“O que estamos testemunhando é um aviso arrepiante para todos os americanos sobre o que acontece se a esquerda insurgente marxista radical conseguir o que quer”, advertiu Johnson.
A tática de incutir o medo nos eleitores é manjada, e os republicanos agem como se tivessem encontrado, a oito mil quilômetros de distância, a chamada “surpresa de outubro”, para tirá-los do sufoco eleitoral na reta final da campanha.
Mas a aposta em associar a violência à imigração traz riscos para Trump e seus correligionários. As pesquisas mostram que, no momento do voto, os americanos estão mais preocupados com o custo de vida e as consequências da guerra contra o Irã.
? As eleições de meio de mandato são também um referendo para o presidente e a sua principal plataforma de governo. E a maioria considera que o presidente exagerou em sua política linha-dura contra a imigração.
Uma sondagem Reuters-Ipsos no fim do mês passado constatou que apenas 36% dos eleitores respaldam a sua atuação nessa área.
Em outras palavras, vincular o caos na França aos imigrantes e, por extensão, aos democratas, pode produzir um efeito bumerangue para Trump.
CLIQUE AQUI e faça parte do nosso grupo para receber as últimas do Noticia Max.







0 Comentários