Vinte anos atrás, quando comecei a trabalhar com propriedade intelectual (PI) em Mato Grosso, tudo era diferente. Protocolos manuais, logos impressos em etiquetas, malotes para o Rio de Janeiro. Quase ninguém entendia o que eram ativos intelectuais. "Cris, mas por qual motivo eu preciso registrar? Já uso há anos", escutava repetidamente. Enquanto o mercado engatinhava no Brasil, eu estava aqui a desbravar terreno.
Duas décadas depois, o cenário mudou completamente. Tornou-se mais veloz e tecnológico, embora a conscientização permaneça uma luta constante. E agora, como Diretora de Integração da ASPI (Associação Paulista da Propriedade Intelectual) em Mato Grosso, gestão 2025/2027, tenho a honra de levar nosso estado para o centro do debate nacional sobre PI.
Fundada em 1983, a ASPI é uma das instituições mais tradicionais e respeitadas do país em propriedade intelectual. Com décadas de história e atuação nacional, a associação defende os direitos dos profissionais de PI e promove a difusão do conhecimento técnico na área. Sua presença reúne escritórios especializados, universidades, empresas, indústrias e profissionais qualificados em debates que moldam políticas para o setor.
Mato Grosso sempre teve PI forte. Agora tem voz ativa na mesa nacional. Inclusive, essa conquista é resultado de uma jornada longa, de persistência e de ver o mercado regional amadurecer de zero até milhares de registros anuais. Vi empresas crescerem porque entenderam a importância da PI. Vi outras travarem porque não sabiam que seu bem mais valioso era intangível. Nunca cansei de ensinar empresários que ativo intelectual é patrimônio com valor real.
O que essa integração com a ASPI representa para Mato Grosso? Significa que vamos trazer para o estado o mesmo nível de debate técnico e eventos que acontecem nos grandes centros. Significa que agora participamos ativamente de GEPIs (Grupos de Estudos em PI), do Congresso Anual da ASPI, de cursos técnicos, seminários e conexões nacionais e internacionais.
E tem mais: se você trabalha com Propriedade Intelectual em MT, pode se juntar a mim nessa construção. Advogados, agentes da propriedade industrial, profissionais de escritórios especializados, departamentos jurídicos de empresas, todos são bem-vindos a fazer parte da ASPI. Lado a lado, construiremos conhecimento, influenciaremos decisões estratégicas e ajudaremos a moldar políticas de PI no Brasil.
Os números do INPI comprovam a urgência desse trabalho. De janeiro a novembro de 2025, foram registrados 471.515 pedidos de marcas no país, crescimento de 14,7% em relação ao mesmo período de 2024. Sinal positivo: empresários finalmente entenderam que marca é ativo estratégico. Por outro lado, as concessões de marcas caíram 1% no mesmo período, totalizando 150.604. Mais pedidos, menos concessões. Ou seja, nomes exclusivos e estratégicos estão cada vez mais escassos.
As razões são conhecidas por quem atua na área: colidência com marcas já registradas, criações genéricas ou descritivas, impedimentos legais do artigo 124 da Lei 9.279/96, processos mal instruídos, entre outros entraves. O resultado prático é que esperar para proteger seu ativo intelectual se tornou um risco calculado demais.
Não à toa, 2026 será o ano de blindar ativos antes que seja tarde, de registrar antes que outro o faça, de proteger antes que copiem, de fortalecer antes que diluam o valor de mercado da sua empresa. É o ano de crescer com segurança jurídica. Escolha bem.
E para Mato Grosso, será também o ano de protagonismo nacional em PI. Novos projetos com a ASPI estão a caminho, parcerias estratégicas sendo construídas, eventos técnicos programados para acontecer aqui, capacitação profissional ampliada. Há muito mais que ainda não posso revelar, mas o recado está dado: estamos apenas começando.
Carrego duas décadas de experiência na área. Agora, com a representação da ASPI, levo Mato Grosso para onde o estado sempre mereceu estar: na mesa nacional de Propriedade Intelectual. Vamos construir esse futuro lado a lado, com conhecimento técnico, visão estratégica e a certeza de que proteger ativos intelectuais é proteger o próprio crescimento.
Cristhiane Athayde, empresária, fundadora da Intelivo Ativos Intelectuais e diretora de integração da ASPI em Mato Grosso
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