A safra de grãos 2015/2016 em Mato Grosso fechou com quebra de 8,293 milhões de toneladas em comparação com o último ciclo. Ainda assim, o Estado lidera com vantagem o ranking nacional de produção agrícola ao assegurar 43,425 milhões de toneladas de soja, milho, algodão, arroz, feijão, girassol e outros grãos cultivados no Estado. Não fossem contabilizados os prejuízos nas lavouras por causa da estiagem advinda da anomalia climática El Niño, o Estado responderia por bem mais que os atuais 23,29% da produção brasileira, que avoluma em 186,403 milhões de toneladas nesta temporada agrícola.
Na safra 2014/2015, Mato Grosso colheu 51,718 milhões de toneladas, com participação de 24,89% na produção nacional que alcançou 207,770 milhões de toneladas. Os números fazem parte do 12º e último levantamento da safra 2015/2016, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Enquanto no país as perdas chegaram a 10,3% no rendimento total das lavouras de cereais, oleaginosas e fibras - que equivale a uma diminuição de 21,367 milhões (t) - em Mato Grosso, a quebra foi mais acentuada, com 16% de queda ante a safra 2015/2016.
“Numa média Brasil, já ocorreu perdas nesta proporção, mas há mais de 10 anos”, relembra o gerente da Área de Levantamento e Avaliação de Safra da Conab, Cleverton Santana.“ Como Mato Grosso é o maior produtor de grãos, tudo o que acontece no Estado reflete de modo geral”.
Ele observa que nessa temporada, houve queda na produção de todas as culturas, em alguns casos pela redução de área, mas o principal influenciador no declínio da produtividade foi a estiagem. “Desde abril, iniciou as quedas na estimativa de produção, que é algo que já vínhamos monitorando”. Relembra que o comportamento atípico do clima começou a manifestar os efeitos em dezembro de 2015. “O veranico que aconteceu em dezembro em geral acontece em janeiro e afetou a soja (precoce) num momento muito crítico. Sempre há um veranico na safra, mas não nessa época”, comenta Santana.
Em Mato Grosso, prossegue ele, os produtores apostam nas variedades de soja precoce para conseguir plantar o milho. “Nos últimos 4 anos as chuvas se estenderam por um período maior que o normal e havia precipitações em maio. Isso estimulou os produtores a aumentarem a área plantada de milho 2ª safra, sendo que 30% foram plantados fora da janela ideal. Foi um plantio de risco que deu muito certo nos últimos anos pelo clima favorável”.
Contudo, o revés climático em 2016 levou à perda de 25,8% ou 5,233 milhões (t) no milho 2ª safra. A produção de 20,305 milhões (t) no ciclo 2014/2015 encolheu para 15,072 milhões (t) nesta safra e impactou diretamente nos núme-ros gerais. No país, a oferta do cereal retraiu de 84,672 milhões (t) para 66,979 milhões (t), baixa de 20,9%.
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