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AGRONEGÓCIO Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2026, 10:56 - A | A

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em 2026

Safra recorde de café impulsiona produção e eleva desafio de rentabilidade

Com custos elevados e possível redução nos preços, especialista alerta que eficiência na gestão será decisiva para transformar volume em resultado sustentável

Da Assessoria

A projeção de uma safra recorde de café no Brasil em 2026, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), reforça o protagonismo do país no mercado global e indica um ciclo de forte recuperação da produção. Os números indicam uma colheita em torno de 66,2 milhões de sacas, crescimento aproximado de 17% em relação a 2025, resultado da melhora das condições climáticas, da recuperação das lavouras após períodos adversos e dos investimentos realizados nos últimos anos. Apesar do cenário positivo no campo, o aumento da oferta traz desafios relevantes para a rentabilidade dos produtores. 

Com maior volume disponível, o mercado tende a operar sob pressão de preços, com expectativa de alívio ao consumidor especialmente no segundo semestre de 2026, segundo avaliação do governo federal. Ao mesmo tempo, os custos de produção seguem elevados, influenciados por insumos, logística, crédito e mão de obra. Nesse contexto, a capacidade de gestão passa a ser um fator determinante para a sustentabilidade dos negócios. 

Para a diretora da unidade de negócios especializada em Agronegócio da Falconi Leciane Batista, o próximo ciclo do café exigirá uma mudança de foco: sair da lógica exclusivamente produtiva e avançar para uma gestão mais estratégica dos resultados. 

“Safras maiores não garantem, por si só, melhores resultados financeiros. Em um ambiente de margens pressionadas, o diferencial competitivo estará na capacidade de planejar, executar com disciplina e gerir custos e investimentos de forma inteligente, evitando decisões reativas ou de curto prazo”, afirma Leciane.

A especialista destaca que o desafio não se limita à produção agrícola, mas se estende a toda a cadeia do café. Aspectos como comercialização, estrutura de custos, armazenagem e definição do melhor momento de venda ganham ainda mais relevância em um cenário de maior oferta. 

Segundo Leciane, vale reforçar: mesmo com a perspectiva de aumento da produção brasileira, fatores como estoques globais ajustados e demanda internacional aquecida podem limitar quedas mais acentuadas de preçosProdutores que adotam práticas estruturadas de gestão e acompanham indicadores de desempenho de forma sistemática tendem a atravessar ciclos de preços mais baixos com maior resiliência. 

“A gestão baseada em dados permite antecipar cenários, reduzir desperdícios e direcionar recursos para as alavancas que realmente geram valor. Não se trata de cortar custos de forma indiscriminada, mas de fazer escolhas melhores, equilibrando eficiência operacional e competitividade no longo prazo”, explica. 

Para encerrar, Leciane explica que a safra recorde de café em 2026 deve ser encarada como uma oportunidade de amadurecimento do setor. “O agro brasileiro já demonstrou sua força produtiva. Agora, o grande desafio é transformar produtividade em rentabilidade consistente. No campo do futuro, não bastará colher mais; será preciso colher melhor, com gestão, rentabilidade e sustentabilidade”, conclui.

 

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