O país produziu 2,644 milhões de veículos em 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
A fabricação de veículos novos cresceu 3,5%, abaixo dos 7,8% esperados pela entidade. O número cresce contra o ano anterior, atingindo o maior patamar desde 2019. Foram produzidos 2,644 milhões de veículos zero km nos 12 meses de 2025, contra 2,553 milhões do mesmo período de 2024.
"Tínhamos projetado em 2024, em um contexto diferente, um aumento de 7,8% e fechamos em 3,5%. O crescimento acumulado chega sobretudo por veículos leves, enquanto o de pesados retraiu 9,9%. É um ano que esperávamos mais, mas ainda assim temos um ano positivo", apontou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
A alta de 2025, mesmo que abaixo do esperado pelo setor, é a segunda consecutiva (em 2024 foi de 10%). Ela representa uma manutenção da recuperação após queda de 1,9% em 2023. Naquele ano tivemos a primeira retração na fabricação de veículos no Brasil desde 2016.
Exportações registram o melhor resultado desde 2018
Se a produção de veículos ficou abaixo do que era esperado para 2025, as exportações cresceram em bom número. Em 2025 foram 528.827 veículos enviados para outros países, contra 400.238 de 2024. O aumento foi de 32,1% no período.
"O destaques especiais para Argentina, que teve crescimento de 85% em relação a 2024. A Colômbia, preciso dizer, aumentou 19% muito embora o ano de 2025 tenha sido de muita instabilidade sobre acordos com o país", revelou Igor.
Veja quais foram os países que mais compraram carros exportados do Brasil:
- Argentina: 302.572 unidades;
- México: 79.228 unidades;
- Colômbia: 42.205 unidades;
- Uruguai: 32.622 unidades;
- Chile: 24.760 unidades.
China ameaça Argentina em importados
No ano, o Brasil importou 497.765 veículos, o maior volume dos últimos 11 anos. Em 2014, chegaram 617.023 automóveis ao país.
Naquela época, o principal exportador era a Argentina. Já em julho de 2025, a China passou a ser protagonista, mas não terminou o ano na liderança. Ainda assim, a diferença entre os países diminuiu consideravelmente.
Naquela época, porém, o principal exportador era a Argentina. Já em julho de 2025, a China passou a ser protagonista, mas não fechou o ano em primeiro lugar. Porém, a diferença entre os países diminuiu consideravelmente.
Em 2025, a China passou a responder por 37,6% das importações que chegam ao país.
Veja os países de origem dos maiores volumes de veículos importados:
- Argentina: 200.335 unidades;
- China: 187.327 unidades;
- México: 31.718 unidades;
- Alemanha: 26.930 unidades;
- Uruguai: 15.622 unidades;
- Tailândia: 6.484.
O crescimento da China ocorreu também pela expansão das marcas chinesas. Em 2025, seis nomes estrearam no Brasil:
- Denza;
- MG Motor;
- GAC;
- Leapmotor;
- Omoda & Jaecoo;
- Geely.
A Anfavea, porém, comemora a balança comercial registrada no setor automotivo. Em 2025 as exportações superaram as importações em 6,2%.
“A balança comercial do setor é positiva, ainda que muito tímida. Nós tivemos um ano em que as exportações nos surpreenderam", apontou Igor Calvet.
Anfavea aponta preocupação com produção em kits prontos
Algumas dessas marcas chegarão ao Brasil com fabricação nacional, mas em um esquema de montagem de kits que vêm prontos do exterior. Esse tipo de operação já gerou atritos entre a BYD e o setor, já que veículos eletrificados têm isenção de alguns impostos por tempo determinado.
Os percentuais estavam previstos para subir de forma gradual até julho de 2028, quando todos os modelos importados — elétricos e híbridos — atingiriam a alíquota de 35%. O novo prazo é janeiro de 2027.
Também foram instituídas cotas temporárias de importação — no valor de US$ 463 milhões para kits CKD e SKD — permitindo a entrada desses veículos com imposto zero até janeiro de 2026 ou até que a cota seja esgotada.
Porém, a entidade demonstrou receio para uma possível prorrogação do prazo para as cotas.
"A nossa preocupação nesse aspecto é um empobrecimento da cadeia de suprimentos brasileira. Isso implica dizer que os kits chegam prontos e, prontos, toda a cadeia antes de chegar as montadoras será afetada. Desde a compra de aço, processos produtivos decorrentes disso como estamparia e soldagem, eles passam a ser executados no país de origem. Nem pintura nós faríamos", disse o presidente da Anfavea.
Setor prevê crescimento conservador para 2026
Diferentemente do que ocorreu em 2024, quando o setor acreditava que a produção subiria quase 8% em 2025, a Anfavea projeta crescimento também para 2026, mas de 3,7%.
"É um ano que nós vemos ainda em que o mercado cresce, que a produção cresce, mas um ano com otimismo contido. É um ano que nos traz muitas dúvidas e instabilidades, como geopolíticas diariamente ou hora a hora, temos questões com reforma tributária, quando a taxa de juros começa a cair. Isso ainda traz algumas instabilidades e incertezas”, revelou Igor.
Segundo a entidade, o crescimento será o seguinte:
- Automóveis e comerciais leves (como picapes e furgões): de 2,492 milhões para 2,586 milhões, alta de 3,8%
- Veículos pesados (como caminhões e ônibus): de 137 mil para 136 mil, alta de 1,4%.
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