A Arábia Saudita afirmou, nesta segunda-feira (12), que está enfrentando uma nova onda de ataques e que o aeroporto de Riad permanecerá fechado por enquanto após o ataque com mísseis ocorrido no sábado (10) contra um terminal de embarque, cuja autoria foi reivindicada pelos houthis do Iêmen, aliados do Irã.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia forças governamentais no Iêmen, relatou a aproximação de drones e mísseis, embora não haja notícias imediatas sobre se eles foram interceptados.
Os houthis têm atacado aeroportos e instalações petrolíferas sauditas desde a semana passada, como parte de um conflito que se intensifica rapidamente e que se espalhou a partir da guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã.
Os ataques fecharam partes do espaço aéreo saudita, suspenderam operações no aeroporto de Riad e esvaziaram grande parte dos céus sobre a capital do reino, apesar de a cidade sediar uma importante conferência sobre energia.
Nova situação
A Arábia Saudita enfrenta agora uma situação de pesadelo, tendo voltado a se envolver na guerra civil do Iêmen para expulsar os houthis da importante rota petrolífera do estreito de Bab el-Mandeb e impedir que o grupo obtenha novos ganhos após avanços repentinos em setembro.
Como as forças iemenitas apoiadas por Riad obtiveram alguns avanços contra os houthis na região de Bab el-Mandeb, mas ainda estão em desvantagem em outras frentes, segundo fontes militares iemenitas, qualquer pressão sobre os houthis pode levar tempo para surtir efeito.
O Irã, rival regional de longa data da Arábia Saudita, ofereceu-se para mediar o conflito entre seus aliados houthis e o reino.
“Expressamos repetidamente nossa disposição em ajudar a facilitar o diálogo entre as partes”, disse nesta segunda-feira o porta-voz do ministério iraniano de Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei.
Enquanto isso, apesar da intensificação dos ataques aéreos sauditas contra o grupo, incluindo o que a televisão iemenita informou terem sido ataques na província de al-Jawf nesta segunda-feira, os houthis não dão sinais de que vão diminuir sua própria enxurrada de ataques à infraestrutura saudita.
O grupo tem ameaçado repetidamente atacar aeroportos e o espaço aéreo, bem como as instalações petrolíferas sauditas, que são o motor da economia do reino e de seus ambiciosos planos de desenvolvimento.
EAU pedem ação conjunta
O ministro de Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, disse na conferência desta segunda-feira que o reino continuará focado em atrair investimentos como parte de metas mais amplas de desenvolvimento econômico.
“O desenvolvimento de nosso sistema energético e de nossa capacidade industrial continua”, afirmou ele.
Os Emirados Árabes Unidos, vizinhos da Arábia Saudita, pediram nesta segunda-feira o relançamento de uma ação conjunta no Golfo em matéria de segurança e defesa, em resposta aos ataques.
O assessor presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, disse que os ataques contra a Arábia Saudita comprometeram a segurança de todos os Estados do Golfo e acrescentou que a negligência em relação à segurança coletiva da região havia “encorajado outros” a extrapolar contra os Estados da região.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos foram parceiros no conflito do Iêmen por anos, mas apoiaram forças diferentes dentro da coalizão militar iemenita que sustenta o governo e entraram em desentendimento.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado (10) que Washington está considerando se juntar à Arábia Saudita em ataques contra os houthis.
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