A Otan anunciou nesta quarta-feira (11) o lançamento de uma missão para reforçar suas capacidades militares e de vigilância no Ártico. O movimento ocorre após tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a Europa por conta da Groenlândia.
“A 'Sentinela do Ártico' ressalta o compromisso da Aliança de proteger seus membros e manter a estabilidade em uma das áreas mais estrategicamente significativas e ambientalmente desafiadoras do mundo. A iniciativa aproveitará a força da Otan para proteger nosso território e garantir que o Ártico e o Extremo Norte permaneçam seguros”, afirmou o general da Força Aérea dos EUA Alexus Grynkewich, comandante supremo aliado da Otan na Europa.
A nova operação, chamada de "Sentinela do Ártico", coordenará o aumento da presença militar dos aliados da Otan na região, incluindo exercícios como o "Resistência Ártica na Groenlândia", encabeçado pela Dinamarca e que deve ocorrer na ilha nas próximas semanas, segundo a aliança militar.
O anúncio de Grynkewich ocorre em meio a uma rodada de reuniões de ministros da Defesa dos países-membros da aliança militar em Bruxelas nesta quarta e também na quinta-feira para tratar da operação.
Segundo autoridades europeias ouvidas pela Reuters, a "Sentinela do Ártico" pode envolver exercícios militares, aumento da vigilância, envio de embarcações adicionais e meios aéreos na região, incluindo drones.
A missão faz “parte dos esforços da Aliança para reforçar ainda mais nossa dissuasão e defesa na região, particularmente à luz da atividade militar da Rússia e do crescente interesse da China no Extremo Norte”, disse à Reuters um funcionário da Otan. Segundo esse oficial, a missão deve entrar em operação em breve.
O início da missão "Sentinela do Ártico" ocorre semanas após o início de uma investida de Trump contra a Groenlândia, território autônomo que pertence à Dinamarca. O presidente norte-americano disse querer tornar a ilha parte dos EUA e não descartou uso de força militar para isso. A investida causou uma crise entre os EUA e a Europa e ameaçou a existência da Otan, que efetivamente acabaria se um país-membro atacasse outro. (Leia mais abaixo)
A Otan informou na semana passada que havia iniciado o planejamento da missão, após conversas em Davos entre Trump e o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, que aliviaram fortes tensões relacionadas à ambição de Trump de adquirir a Groenlândia.
Mais cedo, o ministro da Defesa britânico, John Healey, afirmou que o Reino Unido desempenhará um papel vital na nova missão da Otan no Ártico. Ainda segundo o governo britânico, a aliança de segurança Força Expedicionária Conjunta (JEF, na sigla em inglês) —liderada pelo Reino Unido e composta por outros nove países europeus— planeja para setembro exercícios militares no Extremo Norte, com centenas de militares previstos para serem mobilizados na Islândia, ao redor da Dinamarca e também na Noruega.
Groenlândia: Trump x Europa
Em sua investida contra a Groenlândia, Trump acusou os aliados europeus da Otan de defasagens nas defesas do Ártico nos últimos anos, o que levou a uma maior presença militar e interesse econômico da Rússia e da China na região. Autoridades da Dinamarca e europeias refutaram os argumentos de Trump e disseram estar fazendo o suficiente.
Ao mesmo tempo, ao que tudo indica, o movimento da Otan para realizar exercícios militares e aumentar as capacidades de vigilância no Ártico busca sanar as críticas de Trump. Um relatório da Inteligência norueguesa divulgado no início do mês afirmou que Moscou está investindo para aumentar suas forças no Ártico.
Desde o início das tensões entre Trump e Europa pela Groenlândia, diversos países da Otan mandaram algumas tropas para a ilha do Ártico em uma demonstração de união para defender a soberania do território ante os EUA. Essas tropas, inclusive, tinham a função de acertar a logística para uma mobilização mais ampla como a da "Sentinela do Ártico". Além disso, a França e o Canadá abriram consulados no local nesta semana.
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