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29 de Janeiro de 2026

OPINIÃO Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026, 09:15 - A | A

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026, 09h:15 - A | A

NATASHA SLHESSARENKO

Feminicídio não é fatalidade

Natasha Slhessarenko

O caso recente de uma médica agredida pelo próprio companheiro, um artista conhecido, filho de um político, ocorrido no estado da Paraíba, expõe uma realidade que o Brasil ainda insiste em minimizar: a violência contra a mulher atravessa todas as camadas sociais. Ela não se restringe à pobreza ou à falta de informação. Acontece também em ambientes considerados estruturados, onde, em tese, deveria haver proteção. 

Em Mato Grosso, os números, lamentavelmente, confirmam a gravidade do problema. Em 2025, o estado registrou 53 vítimas de feminicídio, um aumento de 12,7% em relação a 2024, mantendo uma das maiores taxas do país, com 1,36 caso por 100 mil habitantes. As tentativas de feminicídio cresceram mais de 40%, sinalizando falhas na interrupção do ciclo da violência antes do desfecho fatal.

Combater a violência contra a mulher exige políticas públicas integradas e permanentes. Começa pela educação, com a formação de meninos e meninas para o respeito, a igualdade e a resolução não violenta de conflitos.

Passa, obrigatoriamente, pela segurança pública, com o fortalecimento do trabalho ostensivo da Polícia Militar, a ampliação da estrutura da Polícia Civil e o acesso efetivo às delegacias especializadas. Mato Grosso conta com poucas unidades e apenas uma delegacia da mulher funciona 24 horas.

Mas segurança, sozinha, não basta. É preciso acolher. Iniciativas como a Casa da Mulher Brasileira são avanços importantes ao reunir, em um único espaço, atendimento humanizado, orientação jurídica e suporte especializado. Somam-se a isso políticas de empoderamento e autonomia financeira, fundamentais para que a mulher consiga romper relações abusivas e reconstruir sua vida.

Para que essas ações sejam efetivas, é indispensável a atuação integrada do poder público. Violência contra a mulher não é problema de uma única pasta. Exige articulação entre segurança, educação, saúde e assistência social.

Nesse contexto, a criação de uma Secretaria de Estado das Mulheres em Mato Grosso surge como uma medida estratégica para planejar, integrar e executar políticas públicas de prevenção, acolhimento e promoção da autonomia feminina.

Feminicídio não é fatalidade. É falha de prevenção, de proteção e de política pública. Enquanto tratarmos cada caso como episódio isolado, continuaremos repetindo estatísticas que envergonham o estado e o país. A resposta precisa ser urgente, estruturada e à altura da gravidade do problema.

Natasha Slhessarenko é empresária, médica há 35 anos em Mato Grosso e servidora pública

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