A redução da produção brasileira de trigo deve ampliar a dependência das importações em 2027, diante das preocupações com a qualidade do cereal e dos desafios logísticos. O cenário foi debatido no 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, promovido pela Abitrigo, no Rio de Janeiro.
Durante o evento, Tito Marquetti Martinho, da Bunge Alimentos, projetou que o Brasil poderá importar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas no próximo ano. A Argentina deverá permanecer como principal fornecedora, enquanto o conflito na região do Mar Negro segue como fator de incerteza.
Segundo o especialista Elcio Bento, a produção nacional está estimada em 5,12 milhões de toneladas, queda de 37% em relação ao período de referência, volume suficiente para atender apenas 36% do consumo brasileiro.
A qualidade também preocupa. Em São Paulo, a oferta de trigo Tipo 1 está estimada entre 70 mil e 80 mil toneladas, enquanto no Paraná o volume deve ficar entre 500 mil e 600 mil toneladas. “As condições climáticas impuseram desafios durante o ciclo. Julho foi marcado por chuvas e umidade, com muitos dias encobertos. Em agosto, frio e precipitações ocorreram no início e no fim do mês. Setembro registrou chuva acima da média, poucos dias de sol e geada em 7 de setembro. Em outubro, as precipitações acima da média se alternaram com períodos de abertura de sol”, detalhou.
Com a redução da oferta, o Paraná pode passar de um excedente de 100 mil toneladas para um déficit de 1,85 milhão. No Rio Grande do Sul, a produção prevista é de 1,85 milhão de toneladas, com 27% da área colhida e produtividade de 2,5 mil quilos por hectare. O cenário aumenta a importância da capacidade portuária e da eficiência dos moinhos, que precisarão lidar com maior volume de trigo importado e diferenças na qualidade do cereal nacional.
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