O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil tem hoje mais de 2.500 associados, desenvolvendo um trabalho no combate à informalidade, nas negociações coletivas e individuais. Em entrevista ao Notícia Max, o presidente Joaquim Dias Santana fala das dificuldades enfrentadas pelo setor nesse momento de crise econômica, prevê melhorias, e diz que falta destinação correta dos resíduos da construção
Notícia Max - Como está o mercado para a construção civil em Cuiabá?
Joaquim Dias Santana – Hoje ainda vejo a construção civil com a tendência de melhoria depois que se passou toda essa crise, porque a construção civil agora, diante do que aconteceu, diante da mudança de governo, o que escutamos de bom é que o governo vai sim desbloquear os créditos da Caixa Econômica, desbloquear todos limites de crédito, para que as empresas que estavam em dificuldade possam receber aquilo que estava travado e também fazer com que novos canteiros de obras sejam recomeçados, inclusive os canteiros de obras antigos, que estão paralisados, o governo quer que reative para que isso possa ser entregue à população.
Notícia Max - Mas do seu ponto de vista, o que a cidade precisa melhorar?
Joaquim Dias Santana – O que está atrapalhando ainda o setor da construção são as vendas, porque com a crise não há o comprador adequado para os apartamentos construídos, e isso tem sido um problema para que as empresas que estão produzindo imóveis para venda ponham o pé no freio, reduzam o seu quadro de funcionários.
Mas esse cenário já está ficando para trás diante do que estamos vendo, porque já há muitos canteiros de obras sendo cercado, embora sendo começado dentro de muita cautela, mas já estão sendo recomeçados muitos canteiros de obras.
Notícia Max - E a questão da empregabilidade no setor?
Joaquim Dias Santana – Ela ainda está acontecendo de forma lenta, porque está sendo de acordo com a necessidade das empresas que não estão querendo parar de vez, então eles enxugaram muito esse quadro e agora estão muito lentamente pegando alguns funcionários. Estou feliz porque tenho andado por aí e tem muitos predinhos começando dentro de Cuiabá e Várzea Grande.
Notícia Max – Mas o setor da construção também trabalha com muita mão de obra dentro da informalidade, não é mesmo?
Joaquim Dias Santana – A informalidade hoje está muito grande, até mesmo na necessidade da população que não tinha no ‘boom’ da Copa um profissional para fazer os seus trabalhos particulares, e hoje, por incrível que pareça, se você procura um profissional parado por aí está difícil, porque eles estão fazendo seus serviços particulares na informalidade, e até mesmo algumas empresas diante da dificuldade, estão fazendo trabalhos com trabalhadores na informalidade, até que o Ministério do Trabalho dê conta de passar lá e fiscalize.
Notícia Max - Uma das questões mais discutidas é a mão de obra na construção civil. Há algum curso destinado ao setor?
Joaquim Dias Santana – O sindicato em Cuiabá não tem a estrutura de fazer cursos profissionalizantes, mas temos a escola do Senai, no Distrito Industrial, que é uma escola que ajudamos a construir tecnicamente desde o começo dela, então essa escola hoje está sendo suficiente no número de pessoas para serem qualificadas.
O que está faltando realmente é certificar os profissionais que não têm certificado, não tem qualificação certificada, e são profissionais. Isso precisa haver dentro da nossa escola a certificação de muitos profissionais que não são certificados.
Notícia Max – O setor passou por sua convenção trabalhista. O resultado foi o que o sindicato esperava?
Joaquim Dias Santana – Como o sindicato esperava não, porque esperamos sempre ter uns 3% ou 4% de ganho real, mas não saímos com prejuízo abaixo da inflação, foi uma negociação bastante truncada, uma negociação onde houve várias reuniões, mas na última reunião que os trabalhadores se mobilizaram para realmente não aceitar a proposta patronal oferecida de 6,40% divididos em duas vezes, nós conseguimos fazer a negociação com 9,83% de uma vez só que foi a reposição inflacionária.
Notícia Max - Hoje, as obras geram grandes quantidades de lixo, como madeira e resto de entulho, por exemplo. Há destinação correta para esses resíduos?
Joaquim Dias Santana – Eu vejo muita discussão sobre isso, mas uma destinação correta ainda não existe. Na própria escola de certificação já tem meios de estar aproveitando esse material, o que falta ainda é o empresário de bons olhos, dentro de Mato Grosso, se ele for inteligente e montar uma empresa de reciclagem de material de construção, sem dúvida nenhuma vai ser um dos maiores empresários que vamos ter no Estado de Mato Grosso, mas ainda não vimos ninguém com essa visão.
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